A Sandoz, divisão de medicamentos genéricos da Novartis, está avaliando os possíveis impactos das tarifas propostas pelo ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump sobre medicamentos importados. A medida, que faz parte de uma estratégia mais ampla de Trump para reduzir a dependência de produtos farmacêuticos estrangeiros, pode elevar os custos para a empresa e para o setor como um todo.
Contexto das tarifas propostas
Trump propôs tarifas sobre medicamentos importados como parte de sua agenda "America First", visando incentivar a produção doméstica de fármacos. A proposta, ainda não implementada, gerou preocupação entre fabricantes de genéricos, que dependem fortemente de cadeias de suprimentos globais. A Sandoz, com sede na Suíça, possui operações significativas nos EUA e importa insumos e produtos acabados de vários países.
Em comunicado, a Sandoz afirmou que "está monitorando de perto os desenvolvimentos regulatórios e avaliando os potenciais impactos nas operações". A empresa destacou que "tarifas podem aumentar os custos dos medicamentos, afetando o acesso dos pacientes a tratamentos acessíveis".
Impactos no mercado de genéricos
O mercado de genéricos nos EUA é altamente competitivo, com margens estreitas. Qualquer aumento de custo devido a tarifas pode pressionar ainda mais as empresas. Segundo dados da Associação de Medicamentos Genéricos dos EUA, os genéricos representam 90% das prescrições preenchidas no país, mas apenas 20% dos gastos com medicamentos. A imposição de tarifas poderia reverter essa tendência de economia.
Analistas estimam que tarifas de 25% sobre medicamentos importados, como sugerido por Trump, poderiam aumentar os custos para as fabricantes em até US$ 10 bilhões anuais. A Sandoz, que registrou vendas de US$ 9,6 bilhões em 2025, seria uma das mais afetadas.
Reação da indústria farmacêutica
Outras empresas do setor também expressaram preocupação. A Pfizer, por exemplo, já declarou que tarifas podem levar a aumentos de preços para os consumidores. A Sandoz, no entanto, adota uma postura cautelosa, aguardando a formalização das propostas antes de tomar medidas concretas.
"Estamos comprometidos em fornecer medicamentos acessíveis e de alta qualidade", disse um porta-voz da Sandoz. "Continuaremos a trabalhar com as autoridades para garantir que qualquer política comercial não prejudique o acesso dos pacientes."
Próximos passos
A Sandoz está revisando suas cadeias de suprimentos e avaliando alternativas, como aumentar a produção local nos EUA ou diversificar fornecedores. No entanto, tais ajustes levam tempo e exigem investimentos significativos. A empresa também participa de discussões com associações comerciais para apresentar uma posição unificada contra as tarifas.
Enquanto isso, o mercado aguarda os próximos movimentos de Trump, que pode incluir as tarifas em sua plataforma para as eleições de 2026. A decisão final terá implicações não apenas para a Sandoz, mas para todo o setor farmacêutico global.



