O governo de Rondônia está tentando contratar R$ 4,2 bilhões em obras de saneamento básico após os leilões realizados anteriormente terem registrado baixo interesse por parte da iniciativa privada. A medida visa universalizar os serviços de água e esgoto no estado, que atualmente apresenta índices de cobertura abaixo da média nacional.
Contexto dos leilões de saneamento
Os leilões de concessão dos serviços de saneamento em Rondônia ocorreram em 2024 e 2025, mas não atraíram o número esperado de investidores. De acordo com o governo estadual, apenas duas empresas participaram dos certames, resultando em propostas consideradas insatisfatórias. O secretário de Desenvolvimento Econômico de Rondônia, Sérgio Gonçalves, afirmou que "a falta de interesse se deve, em parte, às incertezas regulatórias e à complexidade dos contratos".
Novo plano de contratação
Diante do cenário, o estado decidiu adotar um modelo alternativo: a contratação direta de obras por meio de licitações públicas. O valor total estimado é de R$ 4,2 bilhões, que serão aplicados em projetos de captação, tratamento e distribuição de água, além de coleta e tratamento de esgoto. A meta é alcançar 90% de cobertura de água e 70% de esgoto até 2030.
Segundo dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), Rondônia possui atualmente 65% de cobertura de água e 35% de coleta de esgoto, números que estão abaixo da média nacional de 84% e 55%, respectivamente. O investimento previsto representa um aumento de 40% em relação aos gastos anteriores com saneamento no estado.
Desafios e expectativas
O governo estadual reconhece que a contratação de obras por licitação pode enfrentar desafios, como a capacidade de execução das empresas locais e o prazo para conclusão dos projetos. No entanto, acredita-se que o modelo trará mais transparência e competitividade. "Estamos confiantes de que as licitações atrairão empresas sérias e experientes, capazes de realizar as obras com qualidade e dentro do cronograma", disse Gonçalves.
Especialistas em saneamento alertam que a falta de investimento no setor pode agravar problemas de saúde pública e ambientais na região. A Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES) estima que, sem as obras, Rondônia levaria mais de 20 anos para universalizar os serviços.
Próximos passos
As licitações devem ser lançadas nos próximos meses, com previsão de início das obras ainda em 2026. O governo também estuda parcerias com o governo federal e bancos de desenvolvimento para garantir o financiamento dos projetos. A expectativa é que as obras gerem cerca de 10 mil empregos diretos e indiretos durante o período de execução.



