A Resolução 1026/2026 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) foi publicada oficialmente e entra em vigor em 90 dias, obrigando todas as lojas independentes multimarcas a adotarem o Registro Nacional de Veículos em Estoque (RENAVE) como único meio eletrônico legal para controle de entrada e saída de automóveis, substituindo definitivamente os livros físicos.
Mudança drástica no financiamento
O presidente da FENAUTO, Éverton Fernandes, afirmou em pronunciamento institucional que o sistema, antes opcional, agora é plataforma nacional obrigatória. A regra altera o ecossistema de crédito: se o veículo não estiver registrado no RENAVE, o financiamento não é aprovado. Bancos, financeiras e administradoras de consórcio não poderão conceder crédito sem o registro no sistema.
Números e evidências
O setor de carros usados movimenta cerca de 14 milhões de transferências anuais no Brasil, além de 4 milhões de motocicletas. Grande parte desse volume ocorre em lojas de bairro com baixa digitalização. O influenciador Guga Gadelha tem alertado seus seguidores sobre a dificuldade da transição para pequenos empreendedores, que terão apenas três meses para contratar integradoras, adquirir certificados e-CNPJ e treinar equipes.
Impacto na economia real
A consignação de veículos agora exige contrato digital registrado no sistema, com assinatura de ambas as partes, acabando com a prática informal. Em caso de falência, os veículos consignados ganham segurança jurídica. A falta de escrituração no RENAVE ou atraso nos registros sujeita o estabelecimento a multa por infração gravíssima e possível cancelamento da adesão ao sistema, o que pode levar ao fechamento da loja.
Quem ganha e quem perde
Vencedores: empresas de tecnologia e integradoras de software automotivo, que precisam comprovar capital mínimo de R$ 1 milhão; grandes redes de seminovos e locadoras, já digitalizadas. Perdedores: lojas multimarcas de calçada que dependem da informalidade; despachantes que atuam com processos físicos; financeiras informais.
Indicadores a acompanhar
Investidores devem monitorar: liquidez e volume de crédito negado; fechamento de CNPJs de pequenas revendas; movimentação atípica nos Detrans; crescimento de integradoras homologadas; e margens e taxas de juros em operações de seminovos. A digitalização forçada atua como filtro darwiniano, consolidando o mercado e penalizando quem não se adaptar.



