Queda de preços de baterias desacelera até 2030, diz consultoria
Queda de preços de baterias desacelera até 2030

A desaceleração na redução dos custos de sistemas de armazenamento de energia deve marcar o mercado global até 2030, de acordo com um novo relatório da BloombergNEF (BNEF). A consultoria projeta que os preços das baterias de íon-lítio, principal tecnologia para armazenamento estacionário, cairão entre 3% e 5% ao ano na próxima década, um ritmo bem inferior aos 10% a 15% anuais observados entre 2010 e 2020.

Fatores que explicam a desaceleração

Segundo o estudo, a redução mais lenta reflete o aumento dos custos de matérias-primas, como lítio, cobalto e níquel, além de gargalos na cadeia de suprimentos e a necessidade de investimentos em novas capacidades de produção. “O mercado de armazenamento de energia está em uma encruzilhada. Embora a demanda continue crescendo, impulsionada pela expansão das energias renováveis, os ganhos de eficiência em escala e inovação tecnológica estão diminuindo”, afirmou Yayoi Sekine, chefe de pesquisa de armazenamento de energia da BNEF.

A consultoria destaca que, entre 2021 e 2025, os preços já subiram temporariamente devido à inflação e à crise energética global, mas a tendência de queda deve se restabelecer, embora em ritmo mais moderado.

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Impacto no mercado de energia renovável

O custo dos sistemas de armazenamento é crucial para a viabilidade de fontes intermitentes, como solar e eólica, que dependem de baterias para garantir fornecimento contínuo. Com a desaceleração da queda de preços, o ritmo de substituição de usinas termelétricas por renováveis mais armazenamento pode ser afetado. “Ainda assim, a energia solar combinada com baterias já é competitiva com o carvão em muitas regiões, e essa tendência se ampliará”, acrescentou Sekine.

O relatório aponta que a capacidade global de armazenamento de energia deve crescer de 100 GW em 2025 para 800 GW em 2030, impulsionada por políticas de descarbonização e metas de emissões líquidas zero.

Perspectivas para o Brasil

No Brasil, o armazenamento de energia ainda é incipiente, mas o país tem potencial para se beneficiar da queda de preços, especialmente para integrar a geração solar e eólica. A BNEF estima que a América Latina representará 5% da capacidade global de armazenamento até 2030, com o Brasil como um dos principais mercados.

“O Brasil precisa de políticas claras para incentivar o armazenamento, como leilões específicos e linhas de financiamento. Caso contrário, pode perder a janela de oportunidade”, alerta Sekine.

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