O governo português confirmou nesta segunda-feira a aquisição de três fragatas da Itália por um valor total de 3 bilhões de euros, em um movimento que sinaliza o fortalecimento da cooperação em defesa no continente europeu. O negócio, firmado entre os ministérios da Defesa de ambos os países, prevê a entrega das embarcações até 2030.
Detalhes do acordo
As fragatas, da classe FREMM (Fragata Europeia Multimissão), são consideradas uma das mais modernas do mundo, com capacidade para operações antissubmarino, antiaéreas e de superfície. A compra inclui também pacotes de manutenção e treinamento de tripulações portuguesas na Itália. O primeiro navio deve ser entregue em 2028, e os demais nos dois anos seguintes.
“Este é um passo estratégico para a modernização da Marinha Portuguesa e para a nossa contribuição com a segurança coletiva da Europa”, afirmou o ministro da Defesa de Portugal, João Gomes Cravinho, em coletiva de imprensa. “A parceria com a Itália reflete a confiança mútua e a visão compartilhada de uma defesa europeia mais integrada.”
Contexto geopolítico
A compra ocorre em meio a um movimento de vários países europeus para aumentar seus gastos militares, impulsionado pela guerra na Ucrânia e pelas incertezas sobre o compromisso dos Estados Unidos com a Otan. Portugal, que historicamente investe cerca de 1,5% do PIB em defesa, abaixo da meta de 2% da aliança, busca elevar seu orçamento militar nos próximos anos.
O acordo também é visto como um impulso à indústria naval italiana, que tem a estatal Fincantieri como principal construtora das fragatas. Para a Itália, a venda representa não apenas um ganho financeiro, mas também a consolidação de sua posição como fornecedora de tecnologia militar na Europa.
Impactos econômicos e operacionais
As três fragatas substituirão embarcações mais antigas da frota portuguesa, algumas com mais de 30 anos de serviço. Com isso, a Marinha espera aumentar sua capacidade de patrulhamento no Atlântico e no Mediterrâneo, além de participar de missões da União Europeia e da Otan.
Economicamente, o contrato de 3 bilhões de euros representa um dos maiores investimentos militares da história de Portugal. O pagamento será parcelado ao longo de oito anos, com recursos do orçamento da Defesa e de fundos europeus destinados à segurança. Especialistas apontam que o negócio pode gerar empregos em estaleiros portugueses envolvidos na manutenção das fragatas.
“É um investimento significativo, mas necessário para garantir a soberania e a capacidade de resposta da Marinha”, disse o almirante António Silva, chefe do Estado-Maior da Armada. “As fragatas FREMM são plataformas comprovadas, que nos darão um salto tecnológico.”
Reações e perspectivas
A oposição em Portugal criticou o valor do contrato, argumentando que os recursos poderiam ser aplicados em áreas como saúde e educação. O governo, no entanto, defende que a segurança nacional é prioridade e que o acordo fortalece a posição do país no cenário internacional.
Na Itália, a venda foi celebrada como um exemplo de cooperação europeia bem-sucedida. O ministro da Defesa italiano, Guido Crosetto, destacou que “a parceria com Portugal mostra que a Europa pode e deve investir em sua própria defesa, com benefícios mútuos para a indústria e a segurança coletiva”.
Com a compra, Portugal se junta a outros países europeus, como França e Espanha, que também adquiriram fragatas da classe FREMM, consolidando um padrão comum de equipamento naval na Europa.



