A Oi, em recuperação judicial, informou à Justiça que suas operações podem ser interrompidas a partir de agosto devido à insuficiência de caixa. A empresa atribuiu a situação à queda na receita e ao aumento dos custos operacionais, agravados pelo cenário macroeconômico adverso.
Comunicado à Justiça
Em documento protocolado na 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, a Oi detalhou que, sem a aprovação de medidas urgentes, não terá recursos para manter as atividades além de julho. A empresa pediu autorização para vender ativos e renegociar dívidas com credores como forma de evitar o colapso.
Segundo a Oi, o caixa disponível em 30 de junho era de R$ 1,2 bilhão, valor insuficiente para cobrir os compromissos de curto prazo, que somam R$ 2,8 bilhões. A receita líquida do primeiro semestre caiu 15% em relação ao mesmo período de 2025, totalizando R$ 8,5 bilhões.
Impacto para clientes e mercado
Se as operações forem interrompidas, cerca de 40 milhões de clientes de telefonia fixa, móvel e banda larga podem ser afetados. A Oi é a quarta maior operadora do Brasil em número de assinantes. A Anatel informou que monitora a situação e pode intervir para garantir a continuidade dos serviços essenciais.
Analistas do setor apontam que a paralisação da Oi teria impacto significativo no mercado de telecomunicações, abrindo espaço para concorrentes como Vivo, Claro e TIM, mas também podendo gerar desemprego e desassistência em regiões onde a empresa é a única provedora.
Planos de reestruturação
A Oi apresentou um plano de reestruturação que inclui a venda de torres de telecomunicações e de participação em empresas de fibra óptica. A expectativa é levantar R$ 3 bilhões com essas operações. No entanto, a aprovação dos credores e da Justiça é necessária, e o tempo é curto.
Em nota, a empresa afirmou: "Estamos envidando todos os esforços para viabilizar a continuidade das operações e honrar nossos compromissos. A colaboração de todos os stakeholders é fundamental neste momento crítico."
Contexto da recuperação judicial
A Oi entrou com pedido de recuperação judicial em 2016, com dívidas de R$ 65 bilhões, sendo um dos maiores processos do tipo no Brasil. Em 2022, a empresa concluiu a venda da unidade de telefonia móvel para Vivo, Claro e TIM, mas continuou enfrentando desafios financeiros.
O cenário atual é agravado pela alta da inflação e dos juros, que elevam o custo da dívida e reduzem o poder de compra dos consumidores, impactando a receita da operadora. A Oi também sofre com a concorrência acirrada e a necessidade de investimentos em infraestrutura.



