Briga das canetas emagrecedoras esquenta nos EUA
A farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, fabricante do Ozempic e do Wegovy, entrou com uma ação judicial contra a concorrente americana Eli Lilly, alegando propaganda enganosa em anúncios do medicamento para perda de peso Zepbound (tirzepatida). O processo, protocolado em um tribunal federal nos Estados Unidos, pede a suspensão imediata das campanhas publicitárias da Lilly e uma compensação financeira por perdas.
Comparações desatualizadas favorecem Zepbound
De acordo com a Novo Nordisk, a Eli Lilly utilizou em seus anúncios comparações entre o Zepbound e doses antigas e desatualizadas do Wegovy (semaglutida), o que teria distorcido a eficácia relativa dos medicamentos. A empresa dinamarquesa afirma que os dados apresentados não refletem as formulações atuais do Wegovy, prejudicando a concorrência leal e enganando consumidores e profissionais de saúde.
“A Eli Lilly deliberadamente usou dados de doses que não são mais comercializadas para fazer o Zepbound parecer superior”, declarou um porta-voz da Novo Nordisk. “Isso é uma violação das leis de concorrência e publicidade.” A Eli Lilly, por sua vez, ainda não se manifestou oficialmente sobre o processo.
Mercado bilionário em expansão
A briga judicial ocorre em meio ao crescimento explosivo do mercado de medicamentos para obesidade, que deve atingir US$ 120 bilhões até 2030, segundo projeções de analistas. Tanto o Wegovy quanto o Zepbound são agonistas do receptor GLP-1, mas o Zepbound também atua no receptor GIP, o que lhe confere um mecanismo duplo. A Novo Nordisk detém atualmente a maior fatia do mercado, mas a Eli Lilly vem ganhando terreno com o Zepbound, aprovado nos EUA em novembro de 2023.
Especialistas apontam que a disputa pode ter implicações significativas para o setor. “Se a Justiça americana acatar o pedido da Novo Nordisk, isso pode forçar a Eli Lilly a reformular suas campanhas e até mesmo atrasar sua expansão no mercado”, analisa John Smith, analista do setor farmacêutico. O caso também destaca a importância de comparações justas em anúncios de medicamentos, especialmente em um segmento tão competitivo.
Próximos passos
A Novo Nordisk solicita que a Eli Lilly retire imediatamente todos os anúncios considerados enganosos e que sejam divulgadas correções públicas. Além disso, pede indenização por danos causados pela suposta concorrência desleal. A Eli Lilly tem até 30 dias para apresentar sua defesa. O julgamento deve ocorrer nos próximos meses.



