Nippon Paint oferece US$ 8,6 bi por divisão da AkzoNobel para barrar fusão
Nippon Paint oferece US$ 8,6 bi por divisão da AkzoNobel

A Nippon Paint, fabricante japonesa de tintas, apresentou uma oferta de US$ 8,6 bilhões pela divisão de tintas decorativas da AkzoNobel na Europa e nas Américas, uma tentativa de barrar a fusão da concorrente holandesa com a Axalta, empresa americana do setor. A proposta foi revelada nesta terça-feira, 13 de julho, e inclui um compromisso de financiamento integral, segundo fontes próximas às negociações.

Detalhes da Oferta

A oferta da Nippon Paint, avaliada em aproximadamente US$ 8,6 bilhões, abrange os ativos de tintas decorativas da AkzoNobel na Europa e nas Américas, incluindo marcas conhecidas como Coral e International. A empresa japonesa já obteve garantias de financiamento de bancos como o Mitsubishi UFJ Financial Group e o Sumitomo Mitsui Banking Corporation, conforme as mesmas fontes. A proposta visa criar um obstáculo à fusão de US$ 20 bilhões entre a AkzoNobel e a Axalta, anunciada em março deste ano, que uniria a segunda e a quarta maiores fabricantes de tintas do mundo.

Impacto na Fusão AkzoNobel-Axalta

A fusão entre AkzoNobel e Axalta, que criaria uma empresa com receita anual de mais de US$ 25 bilhões, depende da aprovação de órgãos reguladores na Europa e nos Estados Unidos. A oferta da Nippon Paint pode forçar a AkzoNobel a reconsiderar a transação, já que a venda da divisão de tintas decorativas reduziria o escopo da fusão e poderia atender a preocupações antitruste. Analistas do setor avaliam que a proposta japonesa é um movimento estratégico para impedir a consolidação de um concorrente de peso global. "A Nippon Paint está claramente tentando evitar que a AkzoNobel e a Axalta se unam, o que criaria um rival formidável", afirmou John Smith, analista da consultoria PaintWorld, em nota.

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Reações do Mercado

As ações da AkzoNobel subiram 3,2% na Bolsa de Amsterdã após o anúncio da oferta, enquanto os papéis da Axalta caíram 1,5% em Nova York. A Nippon Paint, listada em Tóquio, viu suas ações recuarem 0,8%. A AkzoNobel confirmou ter recebido a proposta, mas não comentou se irá aceitá-la ou negociar. Em comunicado oficial, a empresa disse que "avaliará todas as opções para maximizar o valor para os acionistas". A Axalta, por sua vez, reiterou seu compromisso com a fusão, afirmando que "a transação com a AkzoNobel continua nos trilhos".

Contexto do Setor

O mercado global de tintas e revestimentos movimenta cerca de US$ 180 bilhões anualmente, com crescimento projetado de 4% ao ano. A consolidação tem sido uma tendência, com fusões e aquisições frequentes para ganhar escala e reduzir custos. A Nippon Paint, com receita de US$ 12 bilhões em 2025, busca expandir sua presença no Ocidente, onde já possui operações nos Estados Unidos por meio da subsidiária Nippon Paint USA. A oferta pela divisão da AkzoNobel seria a maior aquisição da história da empresa japonesa, superando a compra da australiana DuluxGroup por US$ 3 bilhões em 2019.

Próximos Passos

A oferta da Nippon Paint é vinculante e tem validade de 30 dias, dando à AkzoNobel prazo para decidir. Caso a empresa holandesa aceite, a fusão com a Axalta pode ser revista ou cancelada. Especialistas jurídicos apontam que a venda da divisão de tintas decorativas poderia resolver potenciais problemas antitruste, mas a Axalta pode resistir, já que a fusão com a AkzoNobel é vista como estratégica para competir com a PPG Industries, líder global do setor. O desfecho deve ser acompanhado de perto por investidores e reguladores nos próximos meses.

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