O programa Move Brasil, do governo federal, que facilita a compra de veículos para taxistas e motoristas de aplicativo, alcançou R$ 650,9 milhões em negócios no Banco do Brasil (BB), conforme balanço divulgado pela instituição. Desde o lançamento da linha, o BB aprovou propostas de mais de 6 mil motoristas em 778 municípios de todas as regiões do país. O valor médio de cada operação ficou em R$ 108,1 mil.
BNDES já liberou R$ 1 bilhão em financiamentos
Na semana passada, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informou que já foram liberados por meio do Move Brasil mais de R$ 1 bilhão em financiamento de veículos para motoristas de aplicativos e taxistas. O valor foi utilizado por 10.179 condutores cadastrados em 19 aplicativos de transporte, como Uber, 99 e plataformas regionais. Segundo o BNDES, o valor médio dos financiamentos foi de R$ 102 mil.
Condições do financiamento
A linha permite financiar veículos elétricos ou híbridos flex seminovos de até R$ 150 mil, com prazo de pagamento de até 72 meses e carência de até seis meses para começar a pagar. As taxas de juros são de 0,91% ao mês para mulheres e 0,99% ao mês para homens. A diferença de taxa por gênero é uma das condições diferenciadas do programa. Até agora, 392 motoristas mulheres foram atendidas pelo Banco do Brasil, somando R$ 41,4 milhões liberados.
Cashback para quem roda pela Uber
Em parceria com a Uber, o Banco do Brasil oferece um benefício adicional: cashback de até 3,5 parcelas ao longo do contrato, conforme o valor, o prazo e a pontualidade dos pagamentos. Para ter direito, é preciso financiar um veículo novo pelo banco, manter as parcelas em dia e completar uma média mínima de 240 viagens por mês pela plataforma. A cada 12 parcelas pagas, o valor cai direto na conta-corrente.
Quais bancos operam a linha
Além do Banco do Brasil, o C6 Bank e o Santander confirmaram ao EXTRA que vão operar o financiamento. Itaú Unibanco e Bradesco informaram que não fariam adesão.
Regras do Move Brasil
Para participar do programa, os motoristas devem ter realizado no mínimo 100 corridas há pelo menos 12 meses. Esse ponto de corte representa cerca de duas viagens por semana. Muitos podem se perguntar: é possível fazer o cadastro para realizar o número de corridas necessárias para conseguir o crédito mais barato? Essa possibilidade não é permitida por causa da exigência para que o motorista tenha um cadastro ativo há pelo menos um ano na plataforma. Essas medidas estratégicas visam restringir o programa a pessoas com habitualidade na profissão, mesmo que não trabalhem todos os dias.
Como participar do Move Brasil
O primeiro passo para participar do programa é acessar a plataforma gov.br/movebrasil e procurar a opção de cadastro pelo Gov.br. É preciso informar o CPF e a senha da conta gov.br. Na página seguinte, o motorista deve clicar em "Solicitar adesão", informar se é taxista, motorista da 99 ou da Uber, ler e aceitar o termo de consentimento e confirmar o pedido. O perfil fica então em análise. O governo federal consulta a plataforma para validar o cadastro, e a resposta sobre estar apto ou não a participar leva até cinco dias úteis. O aviso chega pela caixa postal do Gov.br e por mensagem de WhatsApp. Com a confirmação, o motorista pode procurar concessionárias e bancos participantes para a análise de crédito.
Quem está negativado consegue?
A aprovação no cadastro do governo é só a primeira etapa. A análise de crédito é feita pelo banco, caso a caso, depois do pedido — e cada instituição decide se aprova ou recusa segundo suas próprias regras. Para ampliar as chances de quem tem renda informal e pouca garantia a oferecer, a medida provisória incluiu taxistas e motoristas de aplicativo no Fundo Garantidor para Investimentos (FGI-PEAC), do BNDES, que pode cobrir até 80% do risco de cada operação. Na prática, o fundo protege o banco em caso de calote — o que torna o crédito mais acessível —, mas a dívida continua sendo do motorista.



