O Conselho Deliberativo do Avaí aprovou a proposta de R$ 400 milhões da Kactus Capital para a compra da SAF do clube. Em sua primeira entrevista após a aprovação, Rafael Matheus, sócio da Kactus Capital, afirmou que a venda de atletas da categoria de base será o principal retorno financeiro ao investidor.
Base como principal ativo
— Ninguém vai entrar para perder dinheiro, mesmo sabendo dos riscos, eles são iminentes. Aqui é uma operação de estar adquirindo um clube com endividamento altíssimo, e é futebol. Tem um monte de fatores que você não controla. Na nossa tese, o que você controla melhor é a base — explicou Rafael à rádio CBN Floripa.
— O investimento do futebol de base, na nossa perspectiva, é o que pode trazer um retorno muito maior. Isso não se constrói do dia para noite. Quando você olha alguns dados, o Raphinha, por exemplo, saiu [do Avaí] por 600 mil euros, e a próxima transação dele deve ser algo próximo de 100 milhões de euros. Então, o que é possível fazer para segurar mais e vender esse atleta por 10 milhões de euros? — questionou.
— Se você consegue segurar ele um pouco mais, você tem uma rentabilidade melhor e uma remuneração melhor do investidor. Inicialmente, uma outra saída é melhorar a receita e tudo mais, mas o grande resultado, ele vem sim de venda de atleta. A gente vai apresentar um projeto de base muito maior — completou.
Garantia e potencial do Avaí
— Qual é a garantia da Kactus? É o ativo, a base, o jogador, a marca. Ninguém vai inventar a bola, o Avaí já é um clube revelador de atleta. Tivemos dois atletas titulares da Seleção Brasileira na Copa do Mundo que foram revelados no Avaí — destacou Rafael.
O clube já revelou nomes como Raphinha, atualmente no Barcelona, e outros jogadores que vestiram a camisa da Seleção Brasileira.
Oportunidade na SAF do Avaí
— Na nossa visão, é como se existissem ainda algumas oportunidades de comprar uma casa na [Avenida] Beira-Mar. Só que, daqui a pouco, à medida que muitos clubes virarem SAF, talvez você não encontre o ativo Beira-Mar e tem que procurar uma casa na rua de trás. Aí nasce a nossa tese — comparou Rafael.
— A gente olha um clube que tenha um histórico de venda de atleta, uma cidade com potencial turístico, com potencial econômico muito forte, um clube com grande base de torcedores, que tem uma marca muito forte e tudo isso a gente encontra no Avaí. Para a gente é uma alegria imensa. Fizemos um esforço extra para poder fazer uma antecipação de crédito relevante e mudar toda a atmosfera — afirmou.
Planos imediatos
— Nosso foco agora é trabalhar para permanência na Série B, que é muito possível, e construir uma base sólida, apresentar um projeto de futebol. A gente vai ter, obviamente, um contrato de comodato. Vamos poder usar o CT, a Ressacada, pretendemos trazer algumas linhas novas de receita via Ressacada — disse.
— A estrutura que tem hoje precisa de investimento, óbvio, mas é uma estrutura que dá para trabalhar, que tem revelado alguns atletas. Já temos um ativo na mão que está podendo performar. Se no futuro a gente construir um mega CT, se um dia fizer sentido, a gente vai discutir com a associação, à medida que entregar algo novo, melhor, mais estruturado, que melhore o futebol. Mas não se pensa isso, não se tem projeto para isso, nosso foco está em garantir estabilidade dos atletas, da comissão, das pessoas — explicou.
— Ninguém aqui está vendendo um milagre. Não existe caminhão de dinheiro, não existe sheik árabe. Existem desafios. Vamos ter os próximos um ou dois anos duros e depois a coisa tende a melhorar. É assim que a gente espera — concluiu.
Redução da dívida e linhas de receita
— Um dos fatores que a gente procurou Santa Catarina é exatamente pela estabilidade jurídica, que, na nossa visão, é muito interessante. Por exemplo, para você entrar em outro clube, que talvez tenha alguns questionamentos maiores nesse sentido, algumas fragilidades, para gente não é tão interessante — afirmou Rafael.
— A gente acha que consegue fazer uma estruturação melhor, temos o grosso da dívida, a diligência tá sendo feita, mas acho que o ativo consegue performar muito bem. Tem boas perspectivas de venda de SAF, de trazer novos investidores, de venda de atleta, de incremento de receita nos próximos anos — completou.
— A SAF no Brasil tá começando agora. Houve uma alteração na lei agora, e tenho certeza que vai alterar algumas vezes. Nós estamos preparados para vencer esses desafios. Nós fomos muito bem recebidos no Avaí. As pessoas que lidaram esse processo são muito sérias. E é um clube que a gente chama de 'clube boutique', tem uma torcida engajada, que acho que tende a voltar para o estádio à medida que o futebol começa a performar um pouco melhor, aí sempre começa a gerar linhas de receita — destacou.
Parcelas emergenciais
— Cinco milhões foram separados em duas parcelas. A primeira parcela era com a aprovação do Conselho Deliberativo. Fizemos em dois dias, foi aprovado na terça-feira à noite e na sexta-feira o dinheiro estava na conta já. E a outra parcela foi paga mais da metade. A gente está aguardando o clube chamar o capital agora. Os próximos aportes vão ser feitos concomitante à finalização dos contratos. A gente está estudando se faz novas antecipações. As coisas precisam seguir um rito normal de SAF, diligência, contratos, tudo isso está sendo feito no paralelo — explicou Rafael.
Expansão internacional
— Estamos olhando três bons ativos nos Estados Unidos, na MLS. Eu vou estar lá nas próximas duas semanas. Clubes pequenos, não vamos comprar um Real Madrid. De todos os ativos, o maior sem dúvida é o Avaí. Acho que pode trazer essa rentabilidade de você enviar um atleta. Na nossa visão, o mercado americano ele é muito muito atrativo, tem uma rentabilidade muito interessante e muito a crescer também. Na MLS tem clubes custando 1 bilhão de dólares. A gente pensa no futuro ter um terceiro clube na Europa, mas aí tá totalmente aberto. Temos algumas teses, França, Portugal, Espanha — revelou.
Próximos jogos do Avaí
Avaí x América-MG | 21/07 | 19h30 | Ressacada
Juventude x Avaí | 28/07 | 19h30 | Alfredo Jaconi
Avaí x CRB | 11/08 | 19h30 | Ressacada
Operário-PR x Avaí | 16/08 | 11h | Germano Krüger



