JiveMauá compra controle da concessionária Rota Verde Goiás e estreia em infraestrutura
JiveMauá compra controle da Rota Verde Goiás

A gestora de investimentos JiveMauá decidiu mudar de lado do balcão e, em vez de continuar como credora, comprou o controle da concessionária Rota Verde Goiás, que pertencia à empresa Azevedo & Travassos. Com isso, fará nos próximos dias sua estreia oficial como dona de uma companhia de infraestrutura, um modelo de negócio que promete ser o primeiro de uma série. A compra recebeu sinal verde da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) na quinta-feira, dia 16, e deve ser formalizada na próxima semana.

Detalhes da aquisição

O negócio, que incluiu 80% do capital da Rota Verde, foi estruturado pelo fundo de situações especiais da JiveMauá, o Fundo IV de Distressed & Special Situations, voltado para a busca de oportunidades em empresas em dificuldades ou créditos de difícil recuperação. Com a operação, a Azevedo & Travassos, que comprou a concessão em agosto do ano passado, deixou o negócio.

A Rota Verde Goiás opera trechos das rodovias BR-060 e BR-452, um corredor logístico estratégico para a produção de soja e grãos do estado. O contrato de concessão é de 30 anos e o faturamento anual da rodovia é da ordem de R$ 500 milhões.

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Motivação da JiveMauá

A ideia inicial era que o fundo da JiveMauá se tornasse apenas credor da concessionária, mas a gestora acabou enxergando uma oportunidade de se tornar dona de um bom negócio, explica Bruno Gomes, sócio e head da área de Distressed & Special Situations da JiveMauá. “A Azevedo & Travassos era controlada pela Reag, que foi envolvida na operação Carbono Oculto, e aí surgiram problemas para captar recursos e fazer aportes”, diz. Tanto que a condição para a JiveMauá financiar a operação foi a saída da Reag da Azevedo & Travassos, o que acabou acontecendo em setembro do ano passado.

Foi ao longo das negociações e do contato com o dia a dia da concessão como credora que a JiveMauá amadureceu a decisão de converter o empréstimo em participação na companhia. “É um ativo premium, mas sofria com um controlador que tinha uma complexidade, então resolvemos comprar o controle”, diz Gomes. O executivo destaca que é a primeira vez que a JiveMauá assume o controle de uma operação de infraestrutura. “Temos exposição ao setor em fundos de recebíveis e de infraestrutura, mas apenas com viés de crédito”, observa. “Agora inauguramos uma nova linha de atuação com investimento em participação em concessionárias de rodovia que pode se estender a outras empresas e setores”, afirma.

Contexto do setor

Ajuda na nova linha de atuação da JiveMauá o fato de os leilões de concessões estarem mais amigáveis para os participantes do setor financeiro, que acabaram ocupando o lugar dos investidores estratégicos depois dos problemas com a Operação Lava Jato, explica Bernardo Guterres, responsável por crédito estruturado da área de situações especiais da gestora. Com um equilíbrio melhor na relação entre concessionária e concessão, Guterres acredita que devem surgir novas oportunidades em rodovias e outros setores de infraestrutura. “Estamos começando essa estratégia com um bom ativo e certamente vamos querer expandir esse negócio”, diz.

Gestão e planos futuros

Para comandar a operação da Rota Verde, a JiveMauá tem como sócia uma empresa de pavimentação que já atuava na concessão e montou uma equipe de especialistas em rodovias, afirma Diego Fonseca, sócio e diretor financeiro da gestora. “Estamos há alguns meses participando do dia a dia da gestão e aumentando nosso conhecimento do setor, até para fazer outros investimentos”, diz. Segundo ele, a gestora já está olhando outras concessões de rodovias, principalmente no Centro-Oeste. “Inclusive já iniciamos algumas negociações e queremos expandir isso”, diz.

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Fonseca explica que a JiveMauá quer também estar preparada para montar outros veículos dedicados para participar do capital desses ativos de infraestrutura diretamente. “Isso se encaixa muito bem no modelo de Fundo de Investimento em Participações (FIP) de Infraestrutura, que pode ser listado e é interessante para o investidor pessoas físicas”, diz. No caso da Rota Verde, o instrumento usado foi o fundo de situações especiais pela situação inicial da empresa, mas a carteira também levantou recursos junto a pessoas físicas. “Faz parte da nossa filosofia democratizar o acesso a investimentos que normalmente ficariam apenas com clientes institucionais”, acrescenta Bruno Gomes.

Recursos sob gestão

A estratégia de situações especiais na JiveMauá tem hoje R$ 9,2 bilhões sob gestão, dos quais R$ 2,6 bilhões no Fundo IV, que comprou a participação na Rota Verde. “Ele está no período final de investimento e vamos iniciar a captação de um novo fundo em breve”, afirma Gomes. Segundo ele, o momento é propício para esse tipo de estratégia, já que muitas empresas enfrentam dificuldades pela taxa de juros alta e pelas restrições de crédito por parte dos bancos e do mercado de capitais. “Temos muitas empresas boas com acionistas com estresse financeiro e que, depois de resolver o problema de endividamento, têm muito potencial de ganho”, diz.

Investimentos na Rota Verde

A estimativa de investimento total na Rota Verde é de R$ 4 bilhões em 30 anos e despesas operacionais de mais R$ 4 bilhões no período, explica Gomes. A gestora já fez um aporte inicial de R$ 400 milhões para atender às exigências da concessão e está buscando fontes de longo prazo para financiar os investimentos, em sua maior parte de restauração, manutenção e duplicação, com 32 quilômetros de pista duplicada e mais 72 quilômetros de faixas adicionais previstos. “O desafio é que este é um ano eleitoral, com Copa do Mundo e guerra, mas estamos caminhando bem em colocar essas fontes de financiamento”, diz. Além disso, a rodovia já tem tráfego e começou a ter pedágio, o que pode gerar caixa para o projeto, diz Gomes.