Impedimento semiautomático no Brasileirão: como funciona a tecnologia da CBF
Impedimento semiautomático no Brasileirão: como funciona

A partir do próximo sábado, quando o segundo turno do Campeonato Brasileiro tem início, a competição contará com a tecnologia do impedimento semiautomático, anunciada pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) nesta terça-feira. O sistema, já utilizado na Copa do Mundo de 2022, terá diferenças significativas em relação ao torneio vencido pela Espanha.

Fornecedor e diferenças principais

Na Copa do Mundo, o serviço foi oferecido por um conglomerado de fornecedores credenciados pela Fifa, combinando rastreamento óptico de câmeras, inteligência artificial e sensores na bola. Já no Brasileirão, a tecnologia será responsabilidade de uma única empresa, a Genius, que também opera na Premier League, no Campeonato Mexicano e na Bélgica.

De acordo com Guilherme Buso, head da Genius na América Latina, o resultado visual final nos casos de impedimento poderá ser entregue de maneira mais veloz do que na Copa do Mundo. "O impedimento é muito simples: ou é ou não é. Com essa precisão que a gente consegue entregar com a tecnologia, que é a mais moderna que existe no futebol hoje, a gente consegue realmente determinar o impedimento de um centímetro, por exemplo. Então a gente simplesmente acaba com margem de erro", afirmou Buso em entrevista ao ge.

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Quatro diferenças principais

Sem chip na bola

Na Copa do Mundo, a bola continha um sensor que auxiliava a equipe de arbitragem a determinar os lances de impedimento, identificando o exato momento em que a bola era tocada pelo jogador que deu o último passe. A tecnologia contratada pela CBF não utiliza esse chip. O serviço é fornecido por meio de câmeras de alta resolução espalhadas por diferentes pontos do estádio.

Buso explicou: "A gente tem uma velocidade de rates por segundo que faz com que todas as imagens captadas sejam bastante precisas, não tem nenhum borrão na imagem. Isso facilita muito na hora de definir se o ponto do chute condiz com a posição de impedimento. Esse é um dos principais aspectos".

Mais dados processados

A tecnologia da Genius trabalha com uma quantidade maior de dados no serviço do impedimento semiautomático. De acordo com o chefe da empresa, "são bilhões de dados captados durante a partida". Enquanto na Copa do Mundo as 16 câmeras no estádio trabalhavam com imagens de 50 frames por segundo, no Brasileirão serão cerca de 30 câmeras em cada jogo, com imagens em resolução 4K e 100 frames por segundo. Essa capacidade permite que o sistema crie uma réplica digital do confronto.

Comunicação com os assistentes

Nos jogos da Copa do Mundo, com a velocidade na tomada de decisão dos lances de impedimento oferecida pela tecnologia, os assistentes eram comunicados em tempo real e orientados a levantar ou não a bandeira, resultando em um sistema de erro zero no que diz respeito aos árbitros auxiliares. No Brasileirão, os bandeirinhas continuarão trabalhando sem o auxílio prévio da tecnologia. Portanto, a marcação do campo prevalecerá até a conclusão da jogada. O impedimento semiautomático entra em ação posteriormente, para validar ou não a marcação de campo.

Velocidade da imagem

A empresa contratada pela CBF promete entregar a imagem digital final, comprovando o impedimento ou não do jogador, em "questão de segundos", de acordo com Guilherme Buso. Nos jogos da Copa, a transmissão e o telão do estádio recebiam essa arte minutos depois, com a bola já rolando.

A CBF anunciou que a tecnologia estará disponível a partir da 20ª rodada do Brasileirão, que começa no próximo sábado. A expectativa é que o sistema traga mais precisão e agilidade às decisões de impedimento, reduzindo erros e polêmicas.

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