A International Business Machines (IBM) emitiu um alerta preocupante para seus resultados do segundo trimestre de 2026, projetando um lucro por ação (LPA) ajustado significativamente abaixo das expectativas do mercado. O anúncio, feito após o fechamento do mercado na última segunda-feira, provocou uma queda vertiginosa de mais de 10% nas ações da empresa no after-market, refletindo a decepção dos investidores com as perspectivas de curto prazo da gigante de tecnologia.
Projeções abaixo do consenso
De acordo com comunicado oficial, a IBM espera reportar um LPA ajustado entre US$ 1,80 e US$ 1,90 para o trimestre encerrado em junho, bem abaixo da estimativa média dos analistas consultados pela FactSet, que era de US$ 2,20. A empresa atribuiu a revisão para baixo a uma combinação de fatores, incluindo desaceleração na demanda por serviços de consultoria e hardware, além de ventos cambiais desfavoráveis que impactaram suas operações internacionais.
“Estamos enfrentando um ambiente macroeconômico mais desafiador, com clientes adiando decisões de gastos em tecnologia”, afirmou o CEO da IBM, Arvind Krishna, em teleconferência com investidores. “Embora continuemos confiantes em nossa estratégia de longo prazo focada em nuvem híbrida e inteligência artificial, o trimestre atual reflete incertezas que estão além do nosso controle.”
Impacto imediato no mercado
As ações da IBM, que já acumulavam queda de 5% no ano, despencaram mais de 10% nas negociações eletrônicas após o alerta, atingindo o menor nível intradiário desde outubro de 2025. O movimento arrastou outras empresas do setor de tecnologia, com o índice S&P 500 de tecnologia recuando 1,2% no after-market. Analistas apontam que o alerta da IBM pode ser um sinal de fraqueza mais ampla no setor de serviços de TI, especialmente em consultoria, que tem sido um dos pilares de crescimento da empresa.
“A IBM está enfrentando uma tempestade perfeita: desaceleração na demanda, forte competição de players como Amazon Web Services e Microsoft Azure, e um cenário macro incerto”, comentou a analista do Bank of America, Wamsi Mohan, em nota a clientes. “O guidance fraco sugere que a recuperação esperada para o segundo semestre pode não se materializar.”
Detalhes do alerta
Além do LPA, a IBM também indicou que a receita do segundo trimestre deve ficar entre US$ 15,0 bilhões e US$ 15,2 bilhões, contra expectativa de US$ 15,6 bilhões. A margem bruta ajustada deve cair para aproximadamente 54,5%, ante 56,1% no mesmo período do ano anterior, pressionada por custos mais altos e mix de receita desfavorável. A empresa, no entanto, manteve sua projeção de fluxo de caixa livre para o ano fiscal de 2026 em US$ 12 bilhões, sugerindo que acredita em uma recuperação na segunda metade do ano.
“O fluxo de caixa livre é o principal indicador de saúde financeira da IBM, e mantê-lo inalterado é um ponto positivo”, destacou o analista do Morgan Stanley, Erik Woodring. “Mas o mercado está claramente frustrado com a falta de visibilidade sobre a trajetória de crescimento da receita.”
Contexto e perspectivas
O alerta da IBM ocorre em um momento de incerteza para o setor de tecnologia, com empresas como SAP e Accenture também reportando resultados mistos nos últimos meses. A IBM tem investido pesadamente em nuvem híbrida e inteligência artificial, áreas que ainda não geraram o retorno esperado. A aquisição da Red Hat em 2019 por US$ 34 bilhões foi um passo estratégico, mas a integração tem sido lenta e os resultados financeiros aquém do projetado.
Para o terceiro trimestre, a IBM prevê uma recuperação modesta, com LPA ajustado entre US$ 2,10 e US$ 2,20, ainda abaixo do consenso de US$ 2,40. A empresa divulgará seus resultados completos do segundo trimestre em 19 de julho, quando fornecerá mais detalhes sobre as perspectivas para o restante do ano.



