Conglomerados industriais tradicionais brasileiros, como Votorantim, Camargo Corrêa e Odebrecht, estão migrando para o modelo de holdings de investimento, separando a gestão de ativos industriais e financeiros. A reestruturação visa maior eficiência operacional, transparência e capacidade de atrair investidores.
O que são holdings de investimento?
Holdings de investimento são empresas que detêm participações em outras companhias, sem necessariamente atuar na operação direta. Diferem dos conglomerados tradicionais, que controlam e gerenciam diretamente as operações de suas subsidiárias. No novo modelo, a holding define a estratégia de portfólio, aloca capital e monitora resultados, enquanto as empresas operacionais têm gestão autônoma.
Motivações da reestruturação
Segundo especialistas consultados, a mudança é impulsionada por fatores como a necessidade de profissionalização da gestão, sucessão familiar e busca por maior valor de mercado. A separação entre ativos industriais e financeiros permite que cada negócio seja avaliado de forma independente, facilitando a venda de participações ou a abertura de capital.
“A holding de investimento dá mais flexibilidade para o grupo se desfazer de ativos não estratégicos ou entrar em novos setores sem comprometer a estrutura operacional”, afirma João Carlos Ferraz, professor do Instituto de Economia da UFRJ.
Casos emblemáticos
A Votorantim, um dos maiores conglomerados do país, criou a Votorantim S.A. como holding de investimento em 2019. A holding detém participações em empresas de cimento, metais, energia e finanças, mas cada negócio tem gestão independente. A Camargo Corrêa também reestruturou suas operações, separando a construtora da holding de investimentos, que hoje administra participações em energia, infraestrutura e imobiliário.
A Odebrecht, após a crise de 2015, transformou-se em holding, com a Novonor (antiga Odebrecht S.A.) como controladora de empresas operacionais nos setores de engenharia, petroquímica e imobiliário.
Impactos no mercado
A migração para holdings de investimento tem impacto direto na forma como o mercado avalia esses grupos. “Investidores passam a enxergar cada ativo separadamente, o que pode aumentar o valor de mercado total, pois elimina o desconto de conglomerado”, explica Maria Silva, analista do Banco ABC Brasil. Estudos mostram que conglomerados negociam, em média, com desconto de 15% a 20% em relação ao valor de soma das partes.
Além disso, a estrutura de holding facilita a captação de recursos, já que cada empresa pode emitir dívida ou abrir capital sem comprometer o grupo como um todo.
Desafios da transição
Apesar dos benefícios, a reestruturação enfrenta desafios, como a resistência cultural dentro das organizações, a complexidade tributária e a necessidade de adaptação dos sistemas de governança. A separação de ativos também pode gerar conflitos entre os acionistas controladores e minoritários.
Segundo levantamento da consultoria McKinsey, o número de holdings de investimento no Brasil cresceu 30% nos últimos cinco anos, com destaque para grupos familiares que buscam profissionalizar a gestão e preparar a sucessão.



