A guerra na Ucrânia pode levar ao esgotamento do estoque de flúor utilizado por indústrias brasileiras em até três meses, segundo alerta da Associação Brasileira da Indústria de Ácidos Fluorados (Abiaf). O conflito interrompeu o fornecimento da matéria-prima, majoritariamente importada da Rússia e da China.
Dependência externa e riscos imediatos
O Brasil importa cerca de 80% do flúor que consome, sendo a Rússia responsável por 60% desse total. Com as sanções e a paralisação logística, os embarques foram suspensos. A Abiaf estima que as reservas atuais durem apenas 90 dias.
“Se não houver uma retomada rápida das importações ou abertura de novas rotas, teremos que paralisar linhas de produção em setores essenciais”, afirmou Carlos Eduardo de Oliveira, presidente da Abiaf.
Impactos em cadeias produtivas
O flúor é insumo crítico para a fabricação de alumínio, aço, vidro, cerâmica, agrotóxicos e medicamentos. A escassez pode afetar desde a construção civil até a indústria farmacêutica.
“Empresas de pequeno e médio porte serão as primeiras a sentir o impacto, pois não têm contratos de longo prazo nem capacidade de estocar grandes volumes”, complementou Oliveira.
Alternativas e busca por novos fornecedores
A Abiaf já iniciou contatos com fornecedores no México, Egito e África do Sul, mas a logística e os preços são desafios. Além disso, a qualidade do minério brasileiro é inferior, exigindo investimentos em beneficiamento.
O governo federal foi acionado para incluir o flúor na lista de insumos prioritários e buscar acordos diplomáticos que garantam o abastecimento.



