Esquema de fraudes no agro: prejuízo de R$ 55 milhões é investigado
Fraudes no agro: R$ 55 milhões desviados são investigados

A Operação El Dourado, deflagrada pela Polícia Civil do Tocantins, investiga um esquema de fraudes no agronegócio que pode ter causado um prejuízo superior a R$ 55,9 milhões aos cofres públicos do estado. O grupo utilizava empresas de fachada para simular negociações bilionárias de grãos, como soja e milho, com o objetivo de gerar créditos fictícios de ICMS por meio da emissão de notas fiscais falsas.

Como o esquema funcionava

Segundo a investigação, as empresas de fachada, conhecidas como "empresas noteiras" ou "de prateleira", operavam em estruturas físicas mínimas, como salas de apenas 24 metros quadrados com um único notebook, sem qualquer atividade agropecuária real. Para dar uma aparência de legalidade, ex-funcionárias eram contratadas apenas para manter o local aberto, sendo instruídas a instalar softwares de acesso remoto que permitiam que os verdadeiros líderes, baseados em Unaí (MG), controlassem as operações e simulassem as negociações no Tocantins.

Recrutamento de laranjas e uso de biometria facial

O grupo recrutava preferencialmente pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica para figurarem como sócios das empresas de fachada. Os recrutadores prometiam o pagamento de cerca de R$ 2 mil mensais em troca do "empréstimo" do nome e da identidade. Em um dos casos relatados, um laranja tentou sair do esquema após receber menos do que o prometido, mas passou a sofrer ameaças de morte por parte dos integrantes do grupo.

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Para movimentar grandes quantias e validar pagamentos milionários, o sistema bancário exigia a biometria facial. Por isso, os líderes do grupo visitavam a casa dos laranjas várias vezes por semana para realizar o reconhecimento facial necessário para autorizar as transferências de alto valor.

Principais suspeitos e status das investigações

A polícia identificou um homem de 29 anos em Unaí (MG) como o principal responsável pelo controle das operações, mas seu nome não foi divulgado. O contador Paulo César Maciel dos Santos é apontado como responsável por lidar diretamente com os laranjas e encontra-se atualmente foragido. A defesa dele não foi localizada pelo g1 até a última atualização desta reportagem. Ítalo Paz Koche, gerente do escritório de contabilidade, foi alvo de mandados de busca e apreensão e é suspeito de recrutar laranjas e gerenciar a logística financeira na ausência de Paulo César. A defesa dele também não foi localizada.

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