Food stylist: a profissão que maquia comida para fotos
Food stylist: a profissão que maquia comida para fotos

O que é um food stylist?

Por trás de cada foto suculenta de comida ou bebida nas redes sociais, embalagens e outdoors, há um profissional que passou dias produzindo ingredientes perfeitos, pesquisando e decifrando desejos de grandes marcas. A profissão de food stylist, ou produção culinária, ainda é desconhecida do grande público, mas sua missão é comparável à de um maquiador: um time de especialistas que defende a boa imagem da comida ou bebida que consumimos.

Carreiras de destaque

A produtora culinária Tatu Damberg acumula mais de 20 anos de experiência. Formada na primeira turma de gastronomia da Anhembi Morumbi, ela começou a se interessar pelo assunto na faculdade de psicologia, que não concluiu. Autora de dois livros de receitas e pioneira em blogs gastronômicos com o "Mixirica" (2002), ela combina psicologia e gastronomia em seu trabalho.

Juliano Albano, food stylist desde 2012, largou artes visuais e se formou em gastronomia. Em 2024, lançou o primeiro livro nacional sobre o tema: "Food Styling - Manual prático de produção gastronômica para foto e vídeo" (Senac), em parceria com o marido e fotógrafo João M. Portelinha Neto. Ele afirma: "Comida para fotografia não tem que ser gostosa, ela tem que parecer gostosa".

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Desafios e perrengues

Celisa Beraldo, que faz campanhas para grandes marcas, explica que o trabalho é técnico, especialmente para embalagens: "A imagem tem que caber em espaço limitado, focado no produto, sem adereços". Tatu Damberg já recebeu produto destruído e teve que fazer "plástica" com maquiagem. Juliano Albano lembra de um dia em que transformou um camarim de 2m x 1m em câmara fria para fotos de sorvete, com 38 graus e ar-condicionado quebrado.

"Comeu, morreu!"

Muita gente desavisada ataca a comida "maquiada" no estúdio. Aline Novais conta que um cliente comeu um sanduíche cheio de alfinetes assim que o fotógrafo anunciou "temos!". Tatu Damberg usa plaquinhas de "comeu, morreu" no set. Juliano Albano lembra de um assistente que comeu panetone com Super Bonder, usado para colar frutas. Ele também usa Corega em pó (cola para dentaduras) para manter a comida no lugar em filmagens com movimento.

Ferramentas do ofício

Os food stylists usam itens como linha de costura, alfinetes, utensílios de unha decorada, palitos de churrasco, água termal para umedecer presuntos ou dar aspecto de garrafa suada, e ferramentas de dentista. Aline Novais tem pinças, pincéis, maçarico, glucose de milho e corantes para pintar aves cruas. Celisa Beraldo usa pinça, cotonete, borrifador e kit de unha de gel. Tatu Damberg destaca soprador térmico, lupa, massinha para brigadeiro fake e absorvente interno para criar fumaça na foto.

Imperfeição versus IA

Com a ascensão da IA, há clientes que buscam a perfeição quase impossível e outros que desejam comidas reais. Aline Novais diz: "Nos últimos dois anos, com as fotos de IA, tenho me encantado ainda mais com as imperfeições da comida". Alimentos pouco fotogênicos incluem estrogonofe, risoto e feijoada; desafiadores são sorvete, marshmallow, lasanha e chocolate no calor.

Como se tornar um food stylist

A profissão é aprendida na prática. Tatu Damberg fez curso por e-mail com americana e depois presencial em Nova York. Ela criou um curso online na Hotmart e recomenda o livro "Food Styling" de Delores Custer. Celisa Beraldo estudou artes plásticas, fotografia, e fez especialização na Itália. Todos têm espírito de aventura e se viram nos trinta, com uma descoberta nova a cada diária.

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