A Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU) foi recomprada pelo grupo Ânima Educação por R$ 100 milhões, em uma operação que ocorre em meio ao processo de recuperação judicial da instituição de ensino. A transação foi aprovada pelo juízo da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo e representa um desfecho para o processo de reestruturação da FMU, que enfrentava dificuldades financeiras desde 2023.
Detalhes da operação
A Ânima já havia sido proprietária da FMU entre 2013 e 2021, quando vendeu a instituição para o grupo Yduqs por R$ 1,2 bilhão. Agora, a recompra ocorre por um valor significativamente menor, de R$ 100 milhões, refletindo a situação financeira delicada da FMU. Segundo o acordo, a Ânima assume o controle da FMU e de suas duas unidades, localizadas na zona sul de São Paulo, além de absorver cerca de 10 mil alunos matriculados.
Impacto da recuperação judicial
A FMU entrou com pedido de recuperação judicial em março de 2026, após acumular dívidas estimadas em R$ 800 milhões. A decisão foi motivada por uma queda no número de matrículas e pelo aumento da inadimplência, que atingiu 35% dos alunos em 2025. De acordo com o administrador judicial, a recompra pela Ânima é vista como uma solução para preservar os empregos e garantir a continuidade das atividades acadêmicas.
“A operação é positiva para todos os envolvidos, pois garante a manutenção dos postos de trabalho e a qualidade do ensino oferecido pela FMU”, afirmou o administrador judicial, em nota à imprensa.
Reação do mercado
O mercado financeiro reagiu de forma mista à notícia. As ações da Ânima Educação subiram 2,3% na Bovespa no pregão desta quarta-feira, enquanto os papéis da Yduqs caíram 1,8%. Analistas apontam que a recompra pode representar uma oportunidade para a Ânima expandir sua presença no mercado de ensino superior paulistano, mas também envolve riscos relacionados à recuperação da imagem e da saúde financeira da FMU.
Próximos passos
A Ânima já anunciou que pretende investir R$ 50 milhões nos próximos dois anos para modernizar a infraestrutura da FMU e implementar novas tecnologias educacionais. A expectativa é que a instituição volte a crescer gradualmente, com foco em cursos de graduação nas áreas de saúde e tecnologia. O plano de recuperação judicial da FMU ainda precisa ser aprovado pelos credores em assembleia prevista para setembro de 2026.



