O número de pedidos de falência no Brasil cresceu 15% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior, de acordo com o Indicador Serasa Experian de Falências e Recuperações Judiciais. Foram registrados 1.234 pedidos de falência entre janeiro e junho, contra 1.073 no primeiro semestre de 2025.
Setores mais afetados
O setor de comércio liderou os pedidos, com 567 solicitações (46% do total), seguido por serviços, com 456 (37%), e indústria, com 211 (17%). O aumento foi mais acentuado no comércio, que registrou alta de 18% em relação ao ano anterior.
Segundo a Serasa Experian, o aumento reflete a combinação de juros altos, inflação persistente e desaceleração econômica. "As empresas estão enfrentando um aperto de crédito e queda na demanda, o que eleva a inadimplência e leva a mais pedidos de falência", afirmou Luiz Rabi, economista da Serasa Experian.
Recuperações judiciais também sobem
Os pedidos de recuperação judicial também cresceram, totalizando 876 no primeiro semestre, alta de 12% ante o mesmo período de 2025. O setor de serviços respondeu por 45% dos pedidos, seguido por comércio (35%) e indústria (20%).
"A recuperação judicial tem sido a alternativa para empresas que ainda veem possibilidade de reestruturação, mas o cenário é desafiador", acrescentou Rabi.
Impacto na economia
O aumento dos pedidos de falência e recuperação judicial sinaliza um ambiente de negócios mais adverso, com impacto no emprego e na arrecadação de impostos. Especialistas apontam que a tendência pode se manter no segundo semestre, caso as condições macroeconômicas não melhorem.
O governo federal anunciou medidas de estímulo ao crédito, mas analistas avaliam que os efeitos devem levar tempo para se concretizar.



