Em meio à euforia em torno de mega IPOs e do retorno do chamado "excepcionalismo americano", ainda há quem defenda que o Velho Continente merece espaço na carteira dos investidores. Enquanto os fluxos de capital se concentram nas bolsas americanas impulsionados pela inteligência artificial, a gestora Janus Henderson argumenta que investidores dispostos a olhar além dos holofotes encontram na Europa uma combinação de valuations descontados e temas estruturais que pode recompensar quem entrar agora.
Avaliação da Janus Henderson
A análise consta em relatório recente de Robert Schramm-Fuchs, gestor de portfólio da casa. Apesar do Banco Central Europeu (BCE) restritivo e das incertezas no Oriente Médio, o gestor defende que o cenário de curto prazo "obscurece uma história mais construtiva para as ações europeias". Ele ressalta que reformas em curso, desde a eletrificação até a política industrial, estão remodelando o conjunto de oportunidades no continente.
Segurança energética e política pública
Dois choques energéticos em poucos anos — a crise de 2021/2022 agravada pela invasão da Ucrânia e as tensões atuais no Oriente Médio — deixaram claro para a gestora que "a segurança energética está agora intimamente ligada à segurança econômica". O resultado é um suporte crescente de política pública para renováveis, materiais industriais, manufatura e defesa, setores que a Janus Henderson vê como estratégicos em um mundo de cadeias de suprimento mais fechadas.
Demanda por infraestrutura de IA
Além disso, a casa aponta que a demanda por infraestrutura para escalar sistemas de IA — incluindo capacidade computacional, redes de energia e equipamentos industriais — recai sobre segmentos em que empresas europeias têm posição global relevante. Desde o segundo semestre de 2025, o relatório indica que os mercados passaram a premiar companhias mais enxutas e com maior capacidade de incorporar IA nos fluxos de trabalho, perfil que parte da indústria europeia consegue atender.
Valuation atrativo
Por fim, há o argumento do valuation. As ações europeias seguem negociadas a múltiplos que, para a gestora, não refletem o potencial de lucros de longo prazo em formação. Schramm-Fuchs lembra que grandes empresas listadas no continente têm receitas globais e seu desempenho não depende apenas da conjuntura local. Inflação energética, juros elevados e escalada geopolítica são riscos mapeados, mas para a Janus Henderson o conjunto de oportunidades na Europa "pode ser mais resiliente e mais diversificado do que as manchetes sugerem".
Como acessar as bolsas europeias
Para quem está no Brasil e quer exposição à Europa, os caminhos disponíveis incluem BDRs de empresas europeias e ETFs com foco em Europa, que replicam o MSCI Europe, por exemplo, como opções na B3. Além disso, é possível aplicar em fundos com mandato internacional ou, visando o longo prazo, por meio de fundos de previdência com alocação internacional. Com a evolução das chamadas contas globais, também já é possível investir diretamente no exterior por meio dessas plataformas, ganhando acesso a prateleiras de ETFs e ações europeus, com conversão cambial no momento da operação.



