Empresários buscam segurança jurídica para entrar em licitações
Empresários buscam segurança para licitações

Empresários de diversos setores estão demandando maior segurança jurídica para participar de licitações públicas, diante do receio de instabilidade regulatória e riscos de contestações judiciais. A preocupação foi manifestada durante um seminário promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em Brasília, onde representantes de empresas e especialistas discutiram os entraves que afastam investidores das contratações governamentais.

Principais desafios apontados pelos empresários

Segundo levantamento apresentado no evento, 78% dos empresários entrevistados consideram a insegurança jurídica como o principal obstáculo para participar de licitações. Entre os fatores que geram incerteza estão mudanças frequentes nas regras dos editais, interpretações divergentes de tribunais de contas e demora na análise de recursos. O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou que "a falta de previsibilidade afasta investimentos e encarece as propostas, prejudicando a competitividade e a eficiência dos gastos públicos".

Outro ponto levantado foi a necessidade de modernizar a Lei de Licitações (Lei 14.133/2021), que ainda enfrenta dificuldades de implementação. Especialistas apontam que a complexidade normativa e a ausência de regulamentação complementar em muitos estados e municípios geram insegurança tanto para empresas quanto para gestores públicos.

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Impactos na economia e no setor produtivo

A insegurança jurídica tem impactos diretos na economia. Estima-se que as licitações públicas representam cerca de 10% do PIB brasileiro, mas a participação de empresas privadas tem caído nos últimos anos. Dados do Ministério da Economia indicam que o número de empresas que disputam pregões eletrônicos diminuiu 15% entre 2020 e 2025. Isso resulta em menos concorrência e preços mais altos para a administração pública.

O diretor de Infraestrutura da CNI, Carlos Alberto dos Santos, destacou que "a cada R$ 1 bilhão investido em obras públicas, cerca de 30% são perdidos devido a contestações e atrasos causados por insegurança jurídica". Ele defendeu a criação de mecanismos como o seguro-garantia e a arbitragem para resolver disputas de forma mais ágil.

Soluções propostas no seminário

Durante o evento, foram apresentadas propostas para melhorar o ambiente de licitações. Entre elas, a padronização de editais, a criação de câmaras de mediação e a ampliação do uso de contratos de desempenho. O advogado especialista em direito administrativo, João Pedro Ribeiro, sugeriu que "a adoção de boas práticas internacionais, como o diálogo competitivo e a contratação integrada, pode reduzir riscos e atrair mais investidores".

Representantes do governo federal presentes no seminário sinalizaram abertura para discutir ajustes na legislação. O secretário de Gestão do Ministério do Planejamento, André Oliveira, afirmou que "o governo está comprometido em aprimorar o marco legal das licitações, ouvindo o setor produtivo para garantir segurança e eficiência". Ele mencionou que está em estudo a criação de um grupo de trabalho para revisar pontos críticos da Lei 14.133/2021.

Próximos passos

Os empresários esperam que as discussões resultem em medidas concretas nos próximos meses. A CNI pretende elaborar um documento com sugestões a ser entregue ao Congresso Nacional e ao Executivo. Enquanto isso, as empresas seguem cautelosas, priorizando contratos com maior garantia e evitando licitações em setores onde a judicialização é frequente, como obras de infraestrutura e serviços de tecnologia.

A expectativa é que a segurança jurídica se torne um dos eixos centrais da agenda de competitividade do país, especialmente em um momento em que o governo busca ampliar investimentos privados em parcerias público-privadas (PPPs) e concessões.

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