O CEO da Obramax, Michael Reins, afirmou que a era da inteligência artificial (IA) levará a uma valorização das profissões manuais, como a de pedreiro. “Vamos nos dar conta de que construir é nobre”, disse Reins em entrevista exclusiva ao GLOBO. A declaração ocorre em meio à rápida expansão da rede de atacarejo de materiais de construção no Brasil.
Expansão agressiva da Obramax
A Obramax, controlada pelo grupo francês Adeo, planeja investir R$ 3,5 bilhões no país até 2029, com a meta de alcançar 50 lojas. Atualmente, a rede conta com 28 unidades em operação. O modelo de negócio combina atacado e varejo, atendendo tanto profissionais da construção civil quanto consumidores finais.
Segundo Reins, o investimento será direcionado principalmente para a abertura de novas lojas em regiões estratégicas, como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Nordeste. “O Brasil tem um déficit habitacional enorme e um mercado de reformas aquecido. Nosso crescimento acompanha essa demanda”, explicou.
IA e o futuro do trabalho manual
O executivo destacou que, ao contrário do que muitos temem, a inteligência artificial não eliminará profissões como a de pedreiro, eletricista ou encanador. “A IA vai automatizar tarefas repetitivas e de escritório, mas o trabalho manual, que exige criatividade e adaptação, será cada vez mais valorizado”, afirmou.
Reins citou dados do setor: a construção civil representa cerca de 7% do PIB brasileiro e emprega milhões de trabalhadores. “Precisamos resgatar o orgulho de construir. Não é só levantar paredes; é criar lares, escolas, hospitais. Isso tem um valor imensurável”, completou.
Resultados e perspectivas
A Obramax registrou faturamento de R$ 2,1 bilhões em 2025, alta de 18% em relação ao ano anterior. A empresa espera crescer dois dígitos em 2026, impulsionada pelo programa habitacional Minha Casa, Minha Vida e pelo aumento das reformas residenciais pós-pandemia.
Para Reins, a combinação de tecnologia e trabalho manual é o caminho. “Na loja, usamos IA para gestão de estoque e previsão de demanda, mas quem recomenda o produto certo ao cliente é o vendedor. O toque humano continua essencial”, concluiu.



