Azzas 2154 contrata assessores para avaliar venda da Farm Rio por US$ 1 bi
Azzas contrata assessores para venda da Farm Rio

Na última sexta-feira (19), a Azzas 2154 confirmou que contratou assessores financeiros para avaliar alternativas estratégicas para a marca Farm Rio, com o objetivo de destravar valor para a companhia. A informação foi divulgada em resposta a uma matéria do NeoFeed, que fez as ações saltarem 8,33%.

Possível avaliação de US$ 1 bilhão

De acordo com a reportagem, a marca poderia ser avaliada em cerca de US$ 1 bilhão (aproximadamente R$ 5,2 bilhões). Como referência, o valor de mercado atual da Azzas é de aproximadamente R$ 3,6 bilhões. O Bradesco BBI realizou uma análise preliminar com base em: (i) receita líquida divulgada para 2025 de R$ 3,4 bilhões (R$ 2,1 bilhões no Brasil e R$ 1,3 bilhão das operações internacionais); (ii) margem EBITDA entre 15% e 20%; e (iii) múltiplos EV/EBITDA de pares internacionais nos últimos 12 meses. Com base nisso, os analistas do BBI consideram a avaliação implícita de R$ 5,2 bilhões como, de modo geral, razoável.

Interesse de potenciais compradores

Para Danniela Eiger, Pedro Caravina e Laryssa Sumer, analistas da XP que cobrem varejo, embora nenhum potencial comprador tenha sido mencionado ainda, veem a Farm Rio como um ativo valioso que combina (i) potencial de crescimento, com fortes oportunidades de expansão internacional; (ii) brand equity; e (iii) rentabilidade sólida, alavancada por sua identidade única. Portanto, acreditam que pode haver interesse de: (i) players estratégicos buscando uma marca de alto crescimento para complementar um portfólio existente de marcas globais de vestuário/lifestyle com apetite por M&A (exemplo: ABG, WHP, Bluestar Alliance, LVMH, Kering, Inditex); ou (ii) patrocinadores financeiros com histórico em consumo/varejo, particularmente em moda premium (ex.: L Catterton, Carlyle, General Atlantic, Advent).

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Análise de sensibilidade e impacto nas ações

A análise de sensibilidade feita pelos analistas sugere um equity value entre US$ 360-900 milhões, dependendo das premissas de crescimento/margem e valuation. Assumindo esse intervalo, os ativos remanescentes (AZZA3 excluindo Farm Rio) estariam virtualmente de graça ou, em um cenário pessimista. Os analistas do Bradesco BBI apontam que o debate em torno de uma potencial venda de marca pode dar suporte à performance das ações da Azzas, especialmente no caso da Farm Rio, por ser a marca de crescimento mais acelerado do portfólio e, possivelmente, o ativo com maior potencial de geração de valor – podendo, inclusive, ser avaliada acima do atual valor de mercado da companhia. Por outro lado, o valor estrutural das marcas que permaneceriam no portfólio da Azzas pode continuar sob maior escrutínio do mercado, o que tende a manter pressão sobre os múltiplos da ação por mais tempo. “Além disso, desafios internos recorrentes e o fluxo intenso de notícias podem seguir limitando a visibilidade sobre a direção estratégica da companhia e suas perspectivas de resultados”, avaliam.

Comparação com casos anteriores

Já os analistas da XP ressaltam que já houve outros casos de potencial venda entrando no radar, como no caso de Natura (NATU3) com Aesop e TBS, esperando assim uma dinâmica semelhante para a AZZA3 daqui em diante. “Notícias incrementais em torno de partes interessadas / termos de valuation provavelmente ditarão o desempenho da ação, embora acreditemos que investidores não precificarão totalmente esse evento antes que informações mais concretas sejam divulgadas, seja sobre a transação ou sobre uma resolução entre os acionistas controladores”, avaliam, ressaltando ainda acreditar que o fluxo de notícias pode chamar a atenção dos investidores para o valuation atual da companhia.

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Visão do JPMorgan

Os analistas do JPMorgan avaliam que uma potencial monetização desse ativo poderia destravar valor significativo para as ações, ressaltando que a Farm Rio é gerida de forma praticamente independente dentro do grupo por seus fundadores, Kátia Barros e Marcello Bastos. Segundo as estimativas do banco, eles detêm uma participação conjunta de cerca de 3% a 4% na Azzas e provavelmente estariam dispostos a deixar o grupo em meio às questões mais amplas de governança. “Dito isso, as ações devem agora ser negociadas levando em conta essa potencial monetização de ativos, ao passo que o anúncio sugere que um movimento estratégico envolvendo a Farm Rio provavelmente ocorrerá antes de qualquer resolução sobre a arbitragem entre os principais acionistas. Neste momento, uma resolução aponta para uma possível divisão da empresa em dois negócios — provavelmente Calçados e Básicos (franquias) de um lado e Moda Feminina do outro, com uma grande incógnita em relação à marca Reserva (moda masculina)”, avalia o JPMorgan, que possui recomendação neutra para as ações. Já o Bradesco BBI possui recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado, equivalente à compra) para AZZA3, com preço-alvo de R$ 42.