ANS revela divisão entre operadoras de saúde na B3; Bradesco Saúde e SulAmérica ganham
ANS revela divisão entre operadoras de saúde na B3

Os dados divulgados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) sobre reajustes e adição de vidas no setor de saúde suplementar geraram uma clara divisão entre as companhias listadas na B3. Analistas do mercado financeiro apontam que, de um lado, houve uma desaceleração nos reajustes médios dos planos coletivos corporativos, que recuaram para 8,1%. De outro, o volume total de beneficiários acelerou com a adição líquida de 136 mil novas vidas em maio, atingindo 53,1 milhões de usuários. O crescimento não foi uniforme, deflagrando uma separação entre operadoras que ganham e perdem participação de mercado.

Desaceleração dos reajustes e cautela dos analistas

A desaceleração dos reajustes é vista com cautela pelo Bradesco BBI, que enxerga um teto para a expansão das receitas em um momento de acomodação do mercado. Já a XP Investimentos avalia que a volatilidade criada pela concorrência tarifária deve ser amortecida pelo balanço patrimonial de empresas específicas. As instituições financeiras apontam que o cenário de crescimento moderado testará a resiliência dos balanços, favorecendo players com defesas financeiras robustas para defender suas fatias de mercado.

Bradesco Saúde lidera captação de clientes

Os relatórios indicam que as seguradoras de saúde tradicionais conseguiram acelerar a captação de clientes e manter reajustes acima da média. De acordo com o Santander, o destaque foi a BradSaúde (SAUD3), impulsionada pelo Bradesco (BBDC4). A operadora registrou adição líquida de 33 mil usuários em maio, acumulando 90 mil novas vidas no segundo trimestre de 2026. O Bradesco BBI apontou que a empresa aplicou reajuste de 10,6% em suas carteiras corporativas, superando a média do setor. Os analistas do Goldman Sachs destacaram: “O Bradesco Saúde teve adições líquidas de 33 mil beneficiários mês a mês em maio de 2026, somando 90 mil no acumulado do trimestre, o que lemos como um ritmo de crescimento consistente, corroborando nossa visão de que a Bradsaúde – após vários anos adotando abordagem de preços conservadora – poderia mudar gradualmente seu foco em direção ao crescimento.”

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SulAmérica e Porto Saúde também se destacam

A SulAmérica, controlada pela Rede D’Or (RDOR3), adicionou 9 mil clientes em maio e 24 mil no trimestre, desconsiderando contratos ASO. O Bradesco BBI apontou que a SulAmérica sustentou reajustes de 9,5% em carteiras corporativas. A XP Investimentos reforçou a recomendação de compra para a Rede D’Or, destacando a segurança financeira: “SulAmérica e Bradesco Saúde parecem melhor posicionadas para navegar em um ambiente mais desafiador – cada uma mantendo colchão de provisionamento equivalente a cerca de 13 pontos percentuais e 8 p.p., respectivamente, o que poderia fornecer amortecedor para absorver pressões de margem por aproximadamente 1-2 anos.” A Porto (PSSA3), com a Porto Saúde, também ficou no lado vencedor: cresceu sua base em mais de 16 mil membros no mês e aplicou reajuste médio de 10,1% nos planos corporativos, impulsionada por preços competitivos e forte estratégia com corretores.

Hapvida e OdontoPrev perdem beneficiários

Na ponta negativa, a Hapvida (HAPV3) registrou perda líquida de 9 mil beneficiários em maio, estendendo a retração do segundo trimestre para 48 mil usuários, concentrada nas regiões Sul e Sudeste. O Santander detalhou: “Acreditamos que as perdas de membros também colocam pressão nos custos, já que a empresa precisa diluir custos fixos relacionados aos hospitais abertos.” A operadora reduziu o ritmo de reajustes para 9,0%, e no segmento de planos executivos e corporativos da NotreDame Intermédica, o reajuste despencou para 5,1%. O Bradesco BBI alertou: “A redução do ritmo de reajustes é ponto de atenção, pois limita o crescimento das receitas em momento em que a expansão de beneficiários não compensa a desaceleração. Isso pode reduzir a capacidade de diluir custos fixos e dificultar avanços na sinistralidade.” A OdontoPrev (ODPV3) também sofreu, com retração de 39 mil beneficiários em maio (excluindo canal do Banco do Brasil), acumulando queda de 44 mil no trimestre. O Goldman Sachs apontou que a fatia de mercado da OdontoPrev recuou para cerca de 26,5%, impactada por vendas cruzadas de concorrentes como a Amil.

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Qualicorp: neutra a marginalmente positiva

A Qualicorp (QUAL3) recebeu leitura neutra a marginalmente positiva. A administradora de benefícios reportou base estável em maio, com adição líquida de mil membros. O Goldman Sachs viu com otimismo moderado: “Vemos com bons olhos o fato de o churn ter sido controlado, em 26 mil mês a mês, amplamente em linha com a média dos últimos três meses, enquanto as adições brutas se recuperaram para 28 mil m/m.” O churn controlado sugere que a reestruturação iniciada nos anos anteriores começou a surtir efeito, mas os analistas mantêm projeções conservadoras, precificando redução de 58 mil para 2026.