As ações da SpaceX experimentaram sua primeira queda desde o IPO recorde, interrompendo uma sequência de três pregões consecutivos de alta que havia impulsionado os papéis em quase 50%. Os títulos da empresa de foguetes e inteligência artificial de Elon Musk recuaram aproximadamente 5% após uma sessão marcada por forte volatilidade, na qual chegaram a avançar até 6% antes de reverterem o movimento.
Com esse recuo, a SpaceX voltou a ficar atrás da Amazon em valor de mercado, assumindo agora a sexta posição entre as companhias mais valiosas do mundo, com uma capitalização de cerca de US$ 2,5 trilhões. Apesar da queda, os papéis ainda acumulam uma valorização superior a 42% em relação ao preço do IPO, fixado em US$ 135.
“Resumindo, acredito que isso ainda é apenas ruído. Se observássemos um dia de queda forte de verdade, aí a conversa seria outra”, comentou Michael Monaghan, sócio e gestor da Founder Funds, em Dallas, que detém ações da SpaceX. “Se houvesse uma queda bem mais acentuada, provavelmente aumentaríamos nossa posição”, acrescentou.
Parte da volatilidade intradiária pode ser atribuída ao baixo free float, fator que também contribui para sustentar o preço do papel. Apenas cerca de 4,2% do total de ações estavam disponíveis para negociação no primeiro dia. Contudo, nos próximos meses, o fim dos períodos de lock-up — que impedem insiders de vender — pode intensificar a pressão baixista sobre os papéis.
A queda ocorreu em meio a uma venda generalizada de ações nos Estados Unidos, enquanto investidores digeriam a decisão do Federal Reserve de manter os juros inalterados, juntamente com novas projeções que revelam divisão entre os dirigentes sobre a possibilidade de um aumento de juros ainda neste ano. Após o anúncio — o primeiro sob a presidência de Kevin Warsh —, o mercado passou a precificar integralmente uma alta do Fed até outubro. O S&P 500 recuou 1,2%, enquanto o Nasdaq 100 cedeu 1%.
Investidores de varejo e rotação de apostas
Antes da baixa desta quarta-feira, a SpaceX havia sido a ação mais comprada por investidores de varejo em todos os pregões desde o IPO, igualando o volume combinado de compras de Nvidia, Alphabet, Amazon, Meta e dos principais ETFs atrelados ao Nasdaq 100 e ao S&P 500, conforme dados da Vanda Research. No mesmo período, a Tesla registrou cerca de US$ 61 milhões em vendas líquidas.
“Talvez estejamos testemunhando uma rotação de uma aposta ligada a Elon para outra, com a SpaceX sendo cada vez mais vista como uma exposição mais limpa a IA e tecnologia”, escreveu a Vanda em relatório.
Se a valorização em relação ao preço do IPO se mantiver até o quinto pregão, a SpaceX terá superado com folga tanto a mediana quanto a média dos retornos de uma semana de 30 grandes IPOs de tecnologia nos Estados Unidos nos últimos 15 anos, segundo a Truist Advisory Services. Os dados também indicam que, embora 57% dessas estreias tenham registrado retornos positivos após uma semana, um mês e três meses em relação ao fechamento do primeiro dia, apenas 43% permaneceram no azul em janelas mais longas, de seis e 12 meses.
Opções e índices
O investidor Michael Burry, conhecido por “A Grande Aposta”, escreveu em um post no Substack, na terça-feira, que as opções de venda da SpaceX — uma forma de apostar na queda do papel — ainda estão caras demais e, por isso, ele não comprou nenhuma até agora.
A relação entre puts e calls da SpaceX ficou praticamente equilibrada na quarta-feira, sinal de que mais investidores buscaram proteção contra uma eventual queda da empresa do que na terça, quando as opções começaram a ser negociadas. Mais de 1,4 milhão de contratos da SpaceX trocaram de mãos na quarta, volume 24% menor do que o de terça-feira, o que fez da companhia o terceiro ativo mais negociado no mercado americano de opções, atrás apenas de Tesla e Nvidia.
Também há expectativa em torno da entrada da empresa em índices nas próximas semanas. A Nasdaq alterou suas regras para permitir a inclusão mais rápida de ações de companhias gigantes como a SpaceX, o que obrigaria fundos que replicam índices como o Nasdaq 100 a comprar o papel. A empresa ficará elegível ao índice após 15 dias de negociação.
Já a S&P Dow Jones Indices decidiu não modificar suas regras para acelerar a entrada de novos IPOs, o que significa que a SpaceX não será incluída imediatamente no S&P 500. Assim, a empresa terá de aguardar pelo menos 12 meses e cumprir os critérios atuais de lucratividade e free float exigidos para integrar o principal índice do mercado.
Compras forçadas por fundos passivos tenderiam a dar suporte ao papel. Até lá, porém, alguns investidores podem preferir ficar de fora, apostando que terão exposição à SpaceX de forma automática quando ela passar a integrar os índices.
“Isso pode explicar por que alguns investidores estão dizendo que não há motivo para pânico, porque, quando for possível acompanhar esse índice por meio de um instrumento investível, eles ainda terão exposição”, afirmou Shelby McFaddin, gestora da Motley Fool Asset Management.
© 2026 Bloomberg L.P.



