O técnico Abel Ferreira, do Palmeiras, implementou uma mudança significativa nas categorias de base do clube: a proibição do uso de celulares na Academia de Futebol 2, o CT da base. A iniciativa, apoiada pelo coordenador João Paulo Sampaio, visa promover o desenvolvimento pessoal dos jovens atletas, seguindo o lema "prato na mesa, livro na mão e bola no pé".
Proibição de celulares e criação de espaço literário
Desde a proibição, placas de "proibido celular" foram espalhadas pelo CT. Em substituição, o clube inaugurou o Espaço Literário Abel Ferreira, uma biblioteca que leva o nome do treinador. Abel Ferreira, que é membro da Rede Nacional de Bibliotecas Comunitárias (RNBC), afirmou: "A formação individual é o que nos dá base para ser o que tu quiseres. Professor ou jornalista, por exemplo. Fico muito feliz por ver que o Palmeiras também cuida da parte pessoal, da parte humana."
Os três passos: prato na mesa, livro na mão e bola no pé
Abel Ferreira explicou a filosofia por trás da medida: "Quando cheguei ao Brasil, não o conhecia na sua profundidade. Só depois que eu comecei a entender que primeiro vinha o prato na mesa. Prato na mesa primeiro porque esse é o bem essencial, não há ninguém no mundo que esteja com fome ou que passe fome e pense noutra coisa a não ser um arroz, um feijão, algo para se alimentar." Ele acrescentou: "Há muitos moleques que às vezes não são ensinados, não são incentivados com um livro que pode transformar uma vida. E depois o futebol, que é a bola no pé."
Impacto na convivência e saúde mental
Fernando Truyts, coordenador de serviço social da base, destacou os benefícios da medida: "Não é só tirá-los da tela, é também dar outras oportunidades para que eles possam ter acesso aos livros. A leitura amplia os horizontes, traz desenvolvimento cognitivo, ela faz com que eles possam refletir, com que eles possam crescer não só como futuros atletas, mas também como cidadãos." Ele também apontou que o uso excessivo de celulares está ligado à ansiedade, depressão e falta de sono entre os jovens.
Legado e exemplos
João Paulo Sampaio citou exemplos de jogadores que se beneficiaram da convivência com Abel Ferreira, como Endrick e Vitor Reis. "Além do legado do treinador, Abel tem um grande legado como ser humano. Então, nada mais justo do que a gente abrir o espaço de leitura. É uma criação que prioriza o contato dos meninos que nunca puderam falar com o Abel. Depois, eles podem ser os novos Endrick's. Vários aqui começaram nessa idade", explicou.
As opiniões no CT são unânimes: a convivência entre os atletas está mais saudável. Alguns jovens já trouxeram livros para compor o acervo do espaço literário. O objetivo maior é formar cidadãos, independentemente de se tornarem jogadores profissionais.



