Os juros futuros registraram forte queda nesta sexta-feira, 10 de julho, após o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho ficar muito abaixo das expectativas do mercado. O índice subiu 0,15% no mês, ante projeção mediana de 0,25%, acumulando alta de 3,16% em 12 meses.
Impacto nos contratos de juros
O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 caiu de 14,21% para 13,98% ao ano, enquanto o DI para janeiro de 2029 recuou de 13,85% para 13,55%. A taxa do DI para janeiro de 2025, mais curto, cedeu de 13,95% para 13,80%.
Segundo o economista-chefe da gestora XYZ, Carlos Mendes, “o IPCA veio bem abaixo do esperado, especialmente nos núcleos e serviços subjacentes, o que reforça a visão de que o ciclo de aperto monetário chegou ao fim e que o Banco Central pode começar a cortar a Selic já na próxima reunião”.
Composição do IPCA
O IPCA de junho foi influenciado pela queda nos preços de alimentos (-0,32%) e pela desaceleração em transportes (0,18%). O grupo habitação subiu 0,48%, puxado pela energia elétrica. A inflação de serviços, medida pelo núcleo de serviços subjacentes, desacelerou de 0,52% em maio para 0,38% em junho.
“O dado traz alívio para o Banco Central, que vinha sinalizando cautela. Agora, o mercado precifica uma alta probabilidade de corte de 0,50 ponto percentual na Selic em agosto”, afirmou a analista de renda fixa do Banco ABC, Ana Oliveira.
Reação do mercado
Com a queda dos juros futuros, a bolsa de valores também subiu, com o Ibovespa avançando 1,8% no início da tarde. O dólar comercial caiu 0,5%, cotado a R$ 5,12. O mercado de juros nominais e reais também operou em baixa, com a taxa de juro real de 5 anos caindo de 6,20% para 5,95%.
Para o estrategista-chefe do BTG Pactual, João Silva, “o IPCA de junho é um divisor de águas. Se os próximos dados vierem na mesma direção, o BC terá espaço para cortar a Selic mais rapidamente, o que seria positivo para a economia e para o mercado de capitais”.



