O Instituto de Tecnologia Aeroespacial (ITA) divulgou nesta segunda-feira uma nova projeção para a taxa Selic, indicando que ela deve encerrar o ano de 2026 em 13,75 pontos percentuais. A estimativa representa uma revisão em relação ao cenário anterior e acende um alerta sobre os riscos de que o ciclo de cortes nos juros seja interrompido antes do previsto.
Cenário econômico e inflação persistente
De acordo com o relatório do ITA, a inflação brasileira continua mostrando resiliência, especialmente nos setores de serviços e alimentos, o que dificulta a atuação do Banco Central. A projeção considera que o IPCA deve ficar acima do centro da meta em 2026, pressionando a autoridade monetária a manter a taxa básica de juros em patamar elevado por mais tempo.
O ITA destaca que, embora haja expectativa de cortes na Selic ao longo do segundo semestre, o ritmo e a magnitude desses cortes são incertos. "Há riscos de que o ciclo de cortes seja interrompido antes do esperado, caso a inflação não ceda conforme o necessário", afirma o documento.
Riscos fiscais e externos
Além da inflação, o ITA aponta outros fatores que podem influenciar a trajetória dos juros. O cenário fiscal brasileiro, com o aumento da dívida pública e as incertezas em relação ao cumprimento do arcabouço fiscal, é um ponto de atenção. No âmbito externo, a política monetária dos Estados Unidos e a volatilidade nos mercados internacionais também podem impactar as decisões do Banco Central.
O relatório ressalta que, se a Selic permanecer em 13,75% ao final de 2026, isso representaria um aperto monetário significativo, com impactos sobre o crédito, o consumo e o investimento. "A manutenção de juros altos por período prolongado pode comprometer a recuperação econômica e aumentar o desemprego", alerta.
Comparação com outras projeções
A projeção do ITA está alinhada com as expectativas de parte do mercado financeiro. O boletim Focus, do Banco Central, mostra que a mediana das estimativas para a Selic no fim de 2026 está em 12,50%, mas há uma dispersão significativa, com alguns agentes projetando taxas mais altas. O ITA, no entanto, adota uma visão mais conservadora, considerando os riscos inflacionários e fiscais.
O documento também avalia que, mesmo com a manutenção da Selic em 13,75%, a economia brasileira pode crescer a um ritmo moderado, desde que haja avanços nas reformas estruturais e na credibilidade fiscal. "A política monetária não pode fazer tudo sozinha; é necessário um esforço conjunto de política fiscal e reformas para garantir a estabilidade econômica", conclui.
Impactos para investidores e consumidores
Para os investidores, a projeção de juros elevados por mais tempo sugere que a renda fixa continua sendo uma opção atrativa, especialmente os títulos indexados à Selic e ao IPCA. Já para os consumidores, o crédito deve permanecer caro, com taxas de juros altas para financiamentos e empréstimos. O ITA recomenda cautela na tomada de decisões financeiras, priorizando a redução de dívidas e a formação de reservas.
O relatório completo do ITA pode ser acessado no site da instituição, com detalhes sobre as premissas e os cenários alternativos considerados. A divulgação da projeção ocorre em um momento de grande expectativa para a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que deve definir os rumos da taxa Selic para os próximos meses.



