HSBC aposta em real mais fraco no curto prazo por risco eleitoral
HSBC aposta em real mais fraco por risco eleitoral

O HSBC revisou sua projeção para o câmbio brasileiro, apostando em um real mais fraco no curto prazo devido ao aumento do risco eleitoral. Em relatório divulgado nesta terça-feira, o banco estima que a moeda brasileira pode atingir R$ 5,70 por dólar até o primeiro turno das eleições, em outubro.

Projeções e impactos imediatos

De acordo com o relatório, assinado pelo estrategista-chefe para mercados emergentes, Murat Toprak, o cenário eleitoral incerto deve pressionar a moeda brasileira. “O risco eleitoral está se materializando mais cedo do que o esperado, com pesquisas mostrando uma disputa acirrada e propostas econômicas que geram preocupação nos mercados”, afirma Toprak. O banco destaca que a polarização política e a possibilidade de mudanças na política fiscal são os principais fatores de aversão ao risco.

O HSBC também reduziu sua projeção para o real no final de 2026, de R$ 5,40 para R$ 5,80 por dólar. A revisão reflete a expectativa de que a volatilidade cambial persista até que haja maior clareza sobre o resultado eleitoral e as diretrizes econômicas do próximo governo.

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Contexto macroeconômico

O banco ressalta que, além do fator eleitoral, o cenário externo também contribui para a pressão sobre o real. A expectativa de juros mais altos nos Estados Unidos e a desaceleração da economia global reduzem o apetite por ativos de risco, como o brasileiro. “O real está vulnerável a choques externos, especialmente se houver uma postura mais hawkish do Federal Reserve”, completa Toprak.

O relatório aponta que o Banco Central do Brasil pode intervir no mercado de câmbio para conter a volatilidade, mas o efeito seria limitado. “Intervenções podem suavizar movimentos, mas não revertem a tendência de curto prazo”, diz o estrategista.

Reação do mercado

Após a divulgação do relatório, o dólar comercial subiu 0,8% no mercado à vista, negociado a R$ 5,62. O mercado de juros futuros também registrou alta, com a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 subindo para 13,85% ao ano. Analistas consultados pelo Valor destacam que as projeções do HSBC estão alinhadas com as expectativas de outros bancos, como o Goldman Sachs, que também revisaram suas estimativas para o real.

Perspectivas para o pós-eleição

O HSBC projeta que, após as eleições, o real pode se fortalecer caso o novo governo sinalize responsabilidade fiscal. No entanto, o banco alerta que um cenário de vitória de candidatos com propostas consideradas heterodoxas pode levar a moeda a patamares ainda mais elevados, próximos a R$ 6,00 por dólar. “O mercado está precificando um prêmio de risco eleitoral que só será reduzido com um compromisso claro com a âncora fiscal”, conclui Toprak.

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