Estrangeiros têm 4 sessões seguidas de aportes; saldo chega a R$ 24,6 bi em 17 de julho
Estrangeiros acumulam 4 sessões de aportes; saldo a R$ 24,6 bi

Pelo quarto pregão consecutivo, os investidores estrangeiros registraram saldo positivo na B3, com aportes líquidos de R$ 1,2 bilhão no dia 17 de julho. Com isso, o fluxo acumulado no mês até essa data atingiu R$ 24,6 bilhões, segundo dados da bolsa brasileira.

Sequência de entradas reforça apetite por risco

O movimento ocorre em meio a expectativas de cortes de juros nos Estados Unidos e melhora do cenário fiscal doméstico. Em julho, os estrangeiros compraram R$ 89,7 bilhões em ações e venderam R$ 65,1 bilhões, resultando no saldo positivo.

Na semana anterior, a B3 já havia registrado entrada de R$ 3,8 bilhões de estrangeiros, revertendo saídas observadas em junho. O fluxo de capital externo é um termômetro importante para o mercado acionário brasileiro, influenciando a liquidez e os preços dos ativos.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Impacto no mercado e perspectivas

O ingresso de recursos estrangeiros contribui para a valorização do Ibovespa, que acumula alta de 4,5% em julho. Analistas atribuem o movimento à busca por yields em mercados emergentes, diante da perspectiva de afrouxamento monetário global.

"O Brasil se destaca com juros reais elevados e reformas em andamento, o que atrai capital especulativo", afirma Carlos Oliveira, estrategista da XP Investimentos. "No entanto, é preciso monitorar o cenário fiscal e as eleições nos EUA, que podem reverter esse fluxo."

Comparativo com meses anteriores

Em junho, os estrangeiros haviam retirado R$ 8,2 bilhões da B3, pressionados pela aversão ao risco global. O saldo de julho já supera o total de entradas do primeiro semestre, que foi de R$ 18,4 bilhões.

O setor de petróleo e mineração liderou as compras estrangeiras no mês, com destaque para ações da Petrobras e Vale. Já os bancos registraram vendas líquidas, com investidores realizando lucros após a alta recente.

Contexto macroeconômico

A melhora do fluxo estrangeiro coincide com a queda do prêmio de risco Brasil, medido pelo CDS de 5 anos, que recuou para 180 pontos-base, menor nível desde fevereiro. Além disso, o real se valorizou 3,2% em julho, refletindo a entrada de dólares.

Especialistas alertam que a sustentabilidade do fluxo depende da aprovação de reformas econômicas e da manutenção do controle inflacionário. O Banco Central mantém a Selic em 13,75% ao ano, o que mantém o diferencial de juros favorável ao carry trade.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar