O dólar comercial encerrou a sessão desta terça-feira em queda de 0,15%, cotado a R$ 5,17, reagindo aos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) que indicaram desaquecimento no mercado de trabalho formal. Em maio, foram criadas apenas 72.960 vagas com carteira assinada, número bem abaixo das expectativas do mercado, que projetava cerca de 110 mil novos postos.
Mercado de trabalho perde fôlego
Os números do Caged reforçam a percepção de que a economia brasileira está desacelerando. A geração de empregos formais vem perdendo intensidade nos últimos meses, após um início de ano aquecido. Para economistas, o dado é um sinal claro de que o ritmo de contratações está diminuindo, o que pode influenciar as decisões de política monetária.
“O mercado de trabalho está mostrando uma perda de fôlego significativa. Isso é relevante para o Banco Central, pois um mercado menos aquecido reduz pressões inflacionárias e abre espaço para cortes na taxa Selic”, afirmou Carlos Alberto, economista-chefe da consultoria ABC.
Expectativa de corte na Selic
A desaceleração do emprego formal fortalece a expectativa de que o Comitê de Política Monetária (Copom) possa iniciar um ciclo de redução da Selic ainda neste ano. Atualmente, a taxa básica de juros está em 13,75% ao ano, e a maioria dos analistas projeta o primeiro corte em agosto ou setembro.
O movimento de queda do dólar também refletiu o cenário externo, com o índice DXY, que mede a força da moeda americana frente a uma cesta de seis pares, operando estável. Investidores monitoram ainda os próximos passos do Federal Reserve (Fed) nos Estados Unidos.
Projeções para o fim do ano
Segundo projeções de mercado, a geração de empregos deve continuar desacelerando gradualmente até dezembro, em linha com o arrefecimento da atividade econômica. O Caged de maio veio abaixo do registrado em abril, quando foram abertas 98.432 vagas, e também ficou aquém do mesmo mês de 2025, que teve saldo positivo de 85.000 postos.
Para o economista, o dado reforça a tese de que o Banco Central deve agir em breve. “A autoridade monetária tem espaço para começar a reduzir os juros sem comprometer o controle da inflação, especialmente se o mercado de trabalho continuar esfriando”, completou.
Com o resultado, o dólar acumula queda de 1,2% no mês de junho e de 4,5% no segundo trimestre. A moeda norte-americana ainda opera acima dos R$ 5,00, mas analistas veem possibilidade de novos recuos caso os indicadores econômicos continuem mostrando desaceleração.



