O dólar atingiu 162,41 ienes nesta terça-feira, o maior nível em 40 anos, desde 1986, alimentando temores de que uma intervenção direta por parte de Tóquio esteja próxima, embora não imediata. A moeda norte-americana também colocou o euro sob pressão, em um cenário de incertezas cambiais globais.
Dólar dispara e testa recorde histórico
O dólar chegou a 162,41 ienes pela primeira vez em quatro décadas, negociando posteriormente a 162,15, com ligeira alta no dia. A ministra japonesa das Finanças, Satsuki Katayama, reiterou que as autoridades estão prontas para responder adequadamente a qualquer momento, mas evitou usar um tom mais contundente, sinalizando que uma intervenção pode não ser imediata.
Pressão sobre o iene e expectativas de intervenção
A desvalorização do iene reflete a diferença de política monetária entre Japão e Estados Unidos. Enquanto o Federal Reserve (Fed) mantém juros elevados para conter a inflação, o Banco do Japão (BoJ) mantém uma postura ultrafrouxa. A inflação nos EUA está bem acima da meta, e a economia cresce. Na reunião do Fed deste mês, as novas projeções trimestrais mostraram que nove dos 19 membros agora preveem um aumento das taxas de juros até o final do ano.
Índice do dólar e impacto em emergentes
O índice do dólar, que mede a moeda norte-americana em relação a seis outras, recuperava parte das perdas da madrugada, negociando a 101,32, com perspectiva de alta de 1,4% no trimestre, após alta de 1,6% nos primeiros três meses de 2026. O dólar também avança ante divisas de países emergentes, como o peso colombiano e o sol peruano, mas recua ante o rand sul-africano, em uma sessão sem tendência firme.
Contexto geopolítico: EUA e Irã
Como pano de fundo, estão as movimentações diplomáticas de Estados Unidos e Irã, que tentam sustentar uma trégua ainda frágil no Oriente Médio. Equipes de negociação dos dois países deveriam chegar a Doha nesta semana, mas o Irã informou na segunda-feira que nenhuma reunião entre as partes havia sido agendada, aumentando a incerteza nos mercados.



