A holding 2TM, controladora do Mercado Bitcoin (MB), acaba de levantar R$ 100 milhões em uma rodada Série C liderada pela Tether, maior emissora de stablecoins do mundo. O aporte representa o first closing de uma rodada que ainda inclui os fundadores do MB e o SoftBank – cujo valor a ser investido ainda não foi definido.
Detalhes do investimento e planos de crescimento
Segundo a empresa, os recursos serão usados para acelerar o crescimento em várias frentes: desenvolvimento de produtos para infraestrutura de pagamentos, investimentos tokenizados para varejo e institucionais, crédito e empréstimos, mercados de capitais on-chain e expansão internacional. O CEO Roberto Dagnoni destacou que a injeção de capital também pode financiar aquisições na América Latina, especialmente no México e Argentina.
O SoftBank, que liderou a Série B em 2021 quando o MB se tornou unicórnio com valuation de US$ 2,15 bilhões, ainda não definiu seu aporte nesta nova rodada. O valor total da captação permanece em aberto.
Ponte entre cripto e mundo real
Dagnoni afirmou que o plano geral é fortalecer a “ponte” entre ativos cripto e ativos do mundo real dentro da plataforma. Atualmente, o MB soma 4,5 milhões de usuários, mais de R$ 155 bilhões transacionados entre criptomoedas e stablecoins, e possui 10 licenças regulatórias no Brasil e na Europa, incluindo autorizações como Instituição de Pagamento e CTVM.
Este ano, o MB ampliou o CriptoCrédito (empréstimo em reais com garantia cripto) para toda a base de clientes, quintuplicando o valor emprestado e mirando R$ 100 milhões em crédito concedido até o fim de 2026. “A discussão já não é mais se os serviços financeiros migrarão para infraestruturas on-chain. Essa transição já está em curso”, afirmou Dagnoni.
Visão da Tether e reorganização interna
Paolo Ardoino, CEO da Tether, classificou o Brasil como “palco certo” e disse que o MB construiu uma plataforma regulada e integrada de serviços financeiros on-chain que atende milhões de usuários em um dos mercados mais dinâmicos do mundo. Ele considerou a combinação de arcabouço regulatório, tokenização e oferta integrada de serviços financeiros como “única na América Latina”.
A ambição também redesenhou o organograma. No fim de 2025, o MB dividiu a operação em duas frentes: a Operação Brasil, presidida por Lucas Lopes (ex-Serasa Experian), focada em acelerar o B2C via tecnologia e dados; e a Operação Europa, tocada pelo ex-CEO Reinaldo Rabelo a partir de Portugal. Ambos reportam ao chairman executivo Roberto Dagnoni.
Planos de IPO permanecem vivos
O antigo plano de IPO do MB, colocado em espera desde 2021 devido ao esfriamento do mercado, segue nos planos. A empresa continua na lista de prospects do SoftBank para uma oferta pública e mantém há seis anos uma auditoria com a KPMG – sinal de que o sonho de abrir capital ainda está vivo.



