Tarifaço dos EUA afeta 18% das exportações brasileiras, diz MDIC
Tarifaço dos EUA afeta 18% das exportações do Brasil

As tarifas de 25% recentemente anunciadas pelos Estados Unidos contra o Brasil têm levado empresas brasileiras a buscar alternativas ao mercado americano. Uma estimativa do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) indicou que cerca de 18% das exportações brasileiras para os EUA devem ser afetadas, o equivalente a US$ 7,4 bilhões (R$ 37,7 bilhões).

Setores buscam novos mercados, mas enfrentam desafios

Para representantes de diferentes setores ouvidos pelo g1, diversificar mercados leva tempo, exige investimentos e não evita impactos imediatos sobre exportações, empregos e faturamento. Empresários defendem redução da carga tributária e medidas para conter o avanço das importações, ampliando o espaço da indústria nacional no mercado interno.

Segundo Haroldo Ferreira, presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), muitas empresas que ainda tinham fôlego financeiro no ano passado conseguiram negociar com importadores e dividir o custo da tarifa adicional. “Mas essa estratégia começou a ficar mais difícil neste ano com a nova rodada de tarifas”, afirma.

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Setor moveleiro já registra demissões

Cândida Cervieri, diretora-executiva da Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel), afirma que cerca de 30% das exportações do segmento têm como destino os EUA. “Já enfrentamos um impacto muito grande em polos industriais de São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná e Minas Gerais, que registraram uma forte onda de demissões”, diz, reiterando a estimativa de cerca de 10 mil desligamentos desde o ano passado. Cervieri ressalta que a busca por novos mercados leva tempo e aumenta a concorrência global.

Indústria pede medidas ao governo

Representantes da indústria destacam a importância do diálogo diplomático com os EUA e a eventual aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica. “Precisamos manter as portas abertas para o diálogo e seguir negociando”, afirma Fernando Pimentel, diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit). Na terça-feira, o presidente-executivo da Abimaq, José Velloso, reuniu-se com o vice-presidente Geraldo Alckmin para discutir medidas emergenciais, como o fortalecimento do Reintegra, um crédito-prêmio à exportação e um regime especial de diferimento de tributos federais.

Ferreira, da Abicalçados, defende medidas para conter o avanço das importações. Pimentel, da Abit, alerta que as importações cresceram neste ano, tanto no comércio tradicional quanto em plataformas internacionais de comércio eletrônico. “Temos de buscar uma internacionalização cada vez maior, mas também precisamos enfrentar o custo Brasil”, conclui.

Novas tarifas e reação do governo

Na semana passada, o governo americano confirmou a tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, com uma extensa lista de exceções. O governo brasileiro reagiu afirmando que a decisão não tem justificativa econômica e teria motivação política. A tarifa entra em vigor nesta quarta-feira (22). Além disso, na terça-feira (21), o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, disse à CNBC que novas tarifas de 10% a 12,5% devem ser anunciadas para cerca de 60 países nos próximos dias, por suposto uso de trabalho forçado.

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