As Câmaras de Comércio dos Estados Unidos e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) uniram-se em um apelo conjunto ao governo brasileiro e à administração norte-americana para que negociem um acordo bilateral que evite a imposição de uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros. A medida, anunciada pelo governo dos EUA em maio de 2026, pode entrar em vigor em agosto deste ano, afetando setores como aço, alumínio, carne bovina e suco de laranja.
Impacto da sobretaxa nas exportações brasileiras
Segundo estimativas da CNI, a sobretaxa de 25% pode reduzir as exportações brasileiras para os Estados Unidos em até US$ 10 bilhões anuais. O Brasil exportou cerca de US$ 40 bilhões para os EUA em 2025, sendo que aproximadamente 30% desses produtos estariam sujeitos à taxa adicional. Os setores mais atingidos incluem o siderúrgico, com perdas potenciais de US$ 3 bilhões, e o agropecuário, com impacto de US$ 2 bilhões.
Posicionamento das entidades
Em carta conjunta enviada ao Ministério das Relações Exteriores e à Câmara de Comércio dos EUA, as entidades destacam que a sobretaxa é prejudicial para ambos os países. "A imposição de tarifas unilaterais prejudica a competitividade das empresas e pode levar a retaliações que afetam o comércio bilateral", afirmou o presidente da CNI, Ricardo Alban. A Amcham Brasil, que representa as câmaras de comércio dos EUA no país, também se manifestou: "Defendemos um diálogo construtivo para encontrar soluções que beneficiem as economias dos dois lados", disse o presidente da Amcham, Abrão Neto.
Histórico das negociações
As negociações entre Brasil e EUA para evitar a sobretaxa começaram em junho de 2026, mas até agora não houve avanços concretos. O governo brasileiro propôs a criação de um comitê bilateral para discutir barreiras comerciais, enquanto os EUA condicionam a suspensão da taxa a concessões brasileiras em propriedade intelectual e acesso a mercados de serviços. A CNI sugere que o Brasil ofereça redução de tarifas de importação para produtos americanos como contrapartida.
Reações do setor produtivo
Empresários brasileiros temem que a sobretaxa possa causar demissões e perda de competitividade. A Associação Brasileira do Aço (Aço Brasil) estima que 15 mil empregos diretos estão em risco no setor siderúrgico. Já a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) alerta que as exportações de etanol para os EUA podem cair 40% caso a taxa seja aplicada. "Precisamos de uma solução urgente para evitar danos irreversíveis", declarou o presidente da UNICA, Evandro Gussi.
Próximos passos
A expectativa é que uma nova rodada de negociações ocorra ainda em julho, com a participação de representantes do governo brasileiro, da embaixada dos EUA em Brasília e das entidades empresariais. A CNI propôs a realização de uma reunião de cúpula entre os presidentes dos dois países para destravar o acordo. Caso não haja entendimento, a sobretaxa pode ser aplicada a partir de 15 de agosto, conforme calendário divulgado pelo governo americano.



