Ajuda bilionária aos Correios virá de bancos estrangeiros
Ajuda bilionária aos Correios sai de bancos estrangeiros

O governo federal está em negociações avançadas para obter um empréstimo de cerca de R$ 3 bilhões junto a bancos estrangeiros, com o objetivo de recapitalizar os Correios. A operação, que deve ser concluída nas próximas semanas, visa evitar um aporte direto do Tesouro Nacional, que agravaria o déficit fiscal.

Detalhes da operação financeira

Segundo fontes ouvidas pelo Valor, o empréstimo terá prazo de até 10 anos e será garantido por receitas futuras da estatal, como a venda de serviços postais e logísticos. Os bancos consultados incluem instituições europeias e asiáticas, que já demonstraram interesse na operação. O valor exato ainda está sendo ajustado, mas gira em torno de R$ 3 bilhões.

A medida é parte do plano de reestruturação dos Correios, que acumulam prejuízos de R$ 2,5 bilhões nos últimos três anos. A empresa busca se modernizar e ampliar sua atuação em logística e comércio eletrônico.

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Impacto fiscal e político

A opção pelo empréstimo estrangeiro, em vez de um aporte do Tesouro, é vista como uma forma de não pressionar as contas públicas, que já enfrentam um déficit primário de R$ 100 bilhões em 2026. O governo argumenta que a operação é vantajosa por não comprometer o limite de gastos.

Especialistas, no entanto, alertam para os riscos cambiais e de endividamento da estatal. “A dívida em moeda estrangeira pode se tornar um problema se o real se desvalorizar”, afirma o economista Carlos Alberto Sardenberg, da FGV. “Mas, no curto prazo, é a saída menos traumática.”

Próximos passos

O Ministério das Comunicações, que comanda os Correios, espera fechar o contrato até o final de agosto. A operação precisa ser aprovada pelo Conselho de Administração da empresa e pelo Banco Central, que avaliará as condições cambiais. Se concretizado, o empréstimo será o maior já obtido pela estatal no exterior.

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