Petrobras atrai analistas com potencial de alta de até 45%
Petrobras atrai analistas com potencial de alta de 45%

A Petrobras (PETR3; PETR4) continua sendo considerada atrativa por diversos analistas, mesmo diante da recente queda nos preços do petróleo. Em relatório, os analistas de petróleo e gás do JPMorgan destacaram que, apesar da oscilação no sentimento dos investidores em relação à exposição ao petróleo, mantêm uma visão construtiva sobre o setor na América Latina, com preferência por produtores de baixo custo capazes de aumentar volumes compostos com geração de caixa disciplinada.

Milene Carvalho Henrique Cunha e Rodolfo Angele, analistas responsáveis pelo relatório, apontam que a petroleira estatal se destaca como uma das histórias mais robustas entre as grandes globais do setor, combinando crescimento consistente, forte geração de caixa e elevada distribuição de dividendos.

Recomendação e potencial de valorização

O banco reiterou a recomendação overweight (exposição acima da média, equivalente à compra) para a estatal, destacando um potencial de valorização de cerca de 35% para os papéis, apoiado em perfil financeiro resiliente e ativos de alta qualidade no segmento de exploração e produção (E&P). Para as ações PETR3, o preço-alvo é de R$ 60 (potencial de alta de 38,5% em relação ao fechamento de terça), enquanto para PETR4 o preço-alvo é de R$ 56 (potencial de alta de 45,30%).

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Na comparação com pares globais como Exxon, Chevron, Shell e BP, a Petrobras se destaca pela combinação de alto fluxo de caixa livre (FCF) e retorno ao acionista, com yields (rendimentos) estimados de 12,8% em 2026 e 13,8% em 2027, níveis superiores ou comparáveis aos concorrentes.

Diferenciais da Petrobras

Para os analistas, a principal tensão do ciclo é a relação entre expansão de volume e retorno de capital. Contudo, “a Petrobras se diferencia, entregando ambos por meio de escala orgânica no pré-sal, em vez de reestruturações impulsionadas por fusões e aquisições”, aponta o relatório. Em um contexto de pares, a visibilidade de crescimento orgânico da empresa está bem à frente do grupo, enquanto as ações continuam a ser precificadas com um desconto de governança que, na visão do JPMorgan, já está incorporado em seu valor justo.

“Reiteramos nossa recomendação de compra e vemos a recente fraqueza do preço das ações como uma oportunidade para aumentar a exposição a uma rara combinação de crescimento e rendimento”, afirmam os analistas.

Crescimento ancorado no pré-sal

Um dos principais pilares da tese do JPMorgan é a qualidade dos ativos da companhia, especialmente no pré-sal. Campos como Búzios — considerado um ativo “de classe própria” — concentram reservas de alta qualidade e baixo teor de enxofre, garantindo elevada produtividade e custos competitivos. Essa base sustenta uma trajetória clara de expansão: a produção da Petrobras deve atingir cerca de 3,6 milhões de barris equivalentes por dia (boed) até 2030, impulsionada pela entrada de novos sistemas, principalmente em Búzios.

Atualmente, a empresa já apresenta escala relevante, com produção média próxima de 3,2 milhões de boed no primeiro trimestre de 2026, reforçando sua posição como a maior companhia de óleo e gás da América Latina. O JPMorgan destaca ainda que mais de 80% do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) da Petrobras vem do segmento de E&P, tornando a companhia altamente alavancada a preços do petróleo.

Essa exposição favorece a geração de caixa em cenários de petróleo elevado — o banco trabalha com premissa de Brent a US$ 85 por barril em 2026, abaixo de estimativas mais otimistas da equipe de commodities da própria instituição. Com isso, a estatal deve continuar ampliando o fluxo de caixa livre e sustentando uma política relevante de remuneração ao acionista, reforçando sua posição como uma das principais pagadoras de dividendos do setor.

Disciplina de capital e investimentos

O plano estratégico da Petrobras prevê cerca de US$ 91 bilhões em investimentos, com 76% destinados ao upstream, evidenciando a estratégia de foco em ativos de maior retorno. Segundo o JPMorgan, a combinação entre expansão de produção, disciplina na alocação de capital e redução de alavancagem deve sustentar ganhos consistentes de rentabilidade ao longo dos próximos anos.

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Reservas acima dos pares

Outro diferencial relevante da Petrobras é sua base de reservas. A companhia possui cerca de 12,1 bilhões de barris equivalentes (boe), o que representa aproximadamente 11,2 anos de vida de reservas, a maior entre as principais petroleiras globais, segundo o relatório. Esse fator garante maior visibilidade de longo prazo para a produção e reforça o posicionamento estratégico da estatal frente aos concorrentes internacionais.

Riscos a serem monitorados

O JPMorgan também alerta para riscos que podem afetar a tese de investimento, como: eventual venda de combustíveis no mercado doméstico abaixo da paridade internacional; aumento de investimentos acima do esperado; preços de petróleo abaixo das projeções; e atraso no ramp-up de novas plataformas.