O mercado financeiro começa a se movimentar para um novo corte de juros após agosto, impulsionado por uma sequência de dados favoráveis à inflação e sinais de que a economia brasileira está perdendo o sobreaquecimento. A expectativa é que o Banco Central reduza a taxa Selic em mais 0,50 ponto percentual na reunião de setembro, levando os juros básicos para 13,25% ao ano.
Dados de inflação surpreendem positivamente
Nos últimos meses, indicadores como o IPCA-15 e o IPCA mostraram desaceleração acima do previsto, abrindo espaço para uma política monetária menos restritiva. O IPCA de julho, por exemplo, registrou alta de 0,12%, bem abaixo do esperado pelo mercado. A tendência de queda também é observada nos núcleos de inflação e nos serviços subjacentes.
Segundo analistas, a melhora no cenário inflacionário decorre da desaceleração da atividade econômica e dos efeitos defasados da política de juros elevados. O PIB do segundo trimestre deve mostrar crescimento menor, confirmando que a economia está perdendo força.
Expectativas do mercado
Pesquisa Focus do Banco Central mostra que a mediana das expectativas para a Selic no fim de 2023 caiu de 13,50% para 13,25% nas últimas semanas, indicando que os agentes financeiros já precificam um novo corte. Para 2024, a projeção é de que a Selic encerre o ano em 11,75%.
“O mercado começa a se mover para outro corte de juros após agosto, após uma sequência de dados mais favoráveis do que o esperado para a inflação e que mostram que a economia está ficando menos sobreaquecida”, afirmou um analista de renda fixa de um grande banco de investimentos.
Impacto nos investimentos
A expectativa de novos cortes na Selic já se reflete nos preços dos ativos financeiros. As taxas dos contratos de juros futuros caíram, e a bolsa de valores registrou alta nos últimos pregões. Investidores estão migrando para ativos de risco, como ações e fundos imobiliários, em busca de maior rentabilidade.
Para o investidor pessoa física, o cenário sugere cautela com a renda fixa pós-fixada, que perde atratividade com a queda dos juros. Especialistas recomendam alongar o prazo dos investimentos e buscar títulos indexados à inflação ou prefixados.
Riscos e incertezas
Apesar do otimismo, o mercado monitora de perto os riscos fiscais e externos. O governo discute novas desonerações e gastos que podem pressionar a inflação no futuro. Além disso, a política monetária nos Estados Unidos e a desaceleração da economia chinesa podem afetar o câmbio e as exportações brasileiras.
O Banco Central deve manter tom cauteloso em suas comunicações, evitando comprometer-se com um ciclo de cortes. A próxima reunião do Copom, em setembro, será decisiva para confirmar a trajetória de queda dos juros.



