Ibovespa inicia junho com nova queda e acumula cinco perdas consecutivas
Na primeira sessão de junho, o Ibovespa continuou seu drama com mais uma queda, a quinta seguida, registrando baixa de 0,91%, aos 172.197,46 pontos, uma perda de 1.590,03 pontos. O principal índice da Bolsa brasileira não fechava abaixo de 173 mil desde 21 de janeiro deste ano, quando encerrou o dia com 171.816,67 pontos, embora naquele momento passasse por um período de quebra constante de máximas históricas.
O momento atual é diferente. Já são três meses consecutivos de perdas, e nos últimos 30 pregões, apenas 9 terminaram positivos. Desde o início da guerra no Irã, o índice acumula perda de mais de 16 mil pontos.
Dólar e juros futuros
O real segue na gangorra que marcou maio. O dólar comercial caiu 0,39% no primeiro dia de junho, cotado a R$ 5,023, após alta na última sessão de maio. Os juros futuros (DIs) subiram por toda a curva.
Cenário geopolítico: guerra Irã-EUA continua indefinida
O cenário global permanece o mesmo desde março. Irã e EUA seguem sem entendimento, o Estreito de Ormuz continua fechado, e ambos os países mostram pouco entusiasmo para um acordo que encerre o conflito. O diálogo é manchete, com idas e vindas, mas neste 1º de junho não se sabe ao certo em que pé está a situação.
O presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a afirmar que as negociações seguem em “ritmo acelerado”, mas também disse que “não se importa se as negociações terminarem”, após o Irã afirmar ter suspendido as conversas. O Irã, por sua vez, tentou facilitar a passagem por Ormuz, mas criticou as contradições dos EUA e os ataques de Israel no Líbano como barreiras ao avanço das negociações.
Petróleo dispara e ouro cai
Com o quadro indefinido, o petróleo voltou a subir com amplitude. O barril do WTI fechou a US$ 92,16, alta de 5,49%, e o Brent a US$ 94,98, alta de 4,24%. O ouro terminou em baixa, após os ganhos da semana anterior.
Em Wall Street, o mês começou com ganhos, sustentados pelo setor de tecnologia. O Dow Jones subiu 0,09%, o S&P 500 avançou 0,26% e o Nasdaq teve alta de 0,42%. Segundo Tim Holland, da Orion, “parece que estamos dando dois passos para frente e um para trás entre os EUA e o Irã, mas o mercado não espera uma retomada das hostilidades ao nível das primeiras semanas do conflito”.
Segundo levantamento da Elos Ayta, as Bolsas americanas foram os grandes destaques positivos de maio, com o índice BDRX subindo 9,22%, seguido pelo Nasdaq (8,36%) e S&P 500 (5,15%). Na Europa, o sentimento foi mais próximo ao brasileiro, com quedas na maioria dos principais índices.
Debandada de estrangeiros
No Brasil, boa parte da queda ocorre em meio a uma debandada de investidores estrangeiros, que acumulam saídas de cerca de R$ 14,2 bilhões até o último dia 28. Para analistas, o fluxo estrangeiro observado no início do ano teve caráter predominantemente tático, aproveitando distorções de preço e vetores conjunturais favoráveis. “À medida que parte desses fatores perdeu força e novos riscos ganharam protagonismo, sobretudo com o agravamento dos conflitos no Oriente Médio, o comportamento dos investidores se ajustou, contribuindo para maior cautela”, disseram.
Entre os elementos de risco, o governo brasileiro voltou a se preocupar com novas tarifas dos EUA e com a designação de facções criminosas nacionais como organizações terroristas.
Vale e bancos caem; Petrobras se salva
Vale (VALE3) caiu 1,35%. Os bancos também recuaram: BB (BBAS3) perdeu 1,08%, Bradesco (BBDC4) caiu 1,13%, Itaú Unibanco (ITUB4) teve baixa de 1,66% e Santander (SANB11) virou no final e subiu 0,18%.
Petrobras (PETR4) subiu 0,88%, após baixa na sexta-feira, impulsionada pela forte alta do petróleo internacional e por reiteração de recomendação de compra por analistas. Além disso, a estatal reduziu o preço do querosene de aviação em 14,2% a partir de junho.
Os varejistas fecharam de forma mista, com destaque positivo para Lojas Renner (LREN3), que subiu 0,81% após elevação de recomendação para compra. Totvs (TOTS3) ganhou 4,32%, acompanhando o movimento global do setor de software.
Não se sabe como será junho, se será muito diferente de maio ou se julho será diferente de junho. A guerra plantou um enorme ponto de interrogação na cabeça dos investidores, que já convivem com dezenas de outras incertezas.



