O mercado financeiro brasileiro viveu um dia de forte estresse nesta quarta-feira, com a reprecificação da taxa Selic e a disparada dos juros futuros. Investidores reagiram a uma combinação de fatores domésticos e externos, que elevaram as expectativas para a inflação e pioraram a percepção de risco fiscal.
Juros futuros em alta
As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) subiram em todos os prazos, com destaque para os vencimentos mais longos. O DI para janeiro de 2028 saltou de 13,20% para 13,45%, enquanto o DI para janeiro de 2031 avançou de 13,50% para 13,80%. O movimento reflete a expectativa de que o Banco Central precisará elevar a Selic mais do que o previsto para conter a inflação.
Fatores que pressionam
Entre os principais fatores que levaram à reprecificação estão a alta do dólar, que atingiu R$ 5,80, e o aumento dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano. Além disso, o mercado monitora com atenção as discussões sobre o arcabouço fiscal no Congresso, que geram incertezas sobre a sustentabilidade das contas públicas.
- Dólar comercial subiu 1,5%, cotado a R$ 5,80.
- Taxa do Tesouro Prefixado 2029 chegou a 13,20%.
- Índice de inflação implícita nos títulos públicos atingiu 6,10%.
Impacto na economia real
A alta dos juros futuros encarece o crédito e reduz o consumo, podendo frear a retomada econômica. Analistas alertam que, se a reprecificação se mantiver, o Banco Central pode ser forçado a interromper o ciclo de cortes na Selic ou até mesmo revertê-lo.
O mercado também reage à divulgação de dados econômicos mais fortes nos Estados Unidos, que reduzem as chances de corte de juros pelo Federal Reserve. Esse cenário global pressiona as moedas emergentes e eleva a aversão ao risco.
Perspectivas
Para os próximos dias, a atenção se volta para a divulgação do IPCA de maio e para as falas de diretores do Banco Central. Qualquer sinal de que a inflação está mais persistente pode intensificar o movimento de alta dos juros.
- Expectativa de Selic terminal acima de 13% ao ano.
- Possibilidade de revisão do cenário fiscal pelo governo.
- Risco de nova rodada de aversão ao risco global.
O mercado de ações também sentiu o impacto, com o Ibovespa caindo mais de 2%, puxado por ações de empresas expostas ao consumo e à construção civil.



