Os investidores estrangeiros retiraram R$ 15,7 bilhões da B3 em maio, registrando a maior fuga mensal de capital desde março de 2020, quando a pandemia de covid-19 abalou os mercados globais. O dado foi divulgado pela própria bolsa brasileira nesta segunda-feira (2).
Contexto do mercado
O movimento de saída ocorre em meio a um cenário de aversão ao risco global, agravado por incertezas quanto à política fiscal brasileira e às perspectivas de juros elevados nos Estados Unidos. A retirada de maio supera os R$ 12 bilhões registrados em abril e inverte o fluxo positivo observado no início do ano.
Impacto nos ativos
A saída de capital estrangeiro pressionou o Ibovespa, que acumulou queda de 3,5% no mês. As ações mais negociadas, como Petrobras e Vale, foram as mais afetadas. O dólar também subiu, fechando maio a R$ 5,20, alta de 2% no período.
Analistas apontam que a combinação de juros altos nos EUA, com a taxa básica americana mantida entre 5,25% e 5,50%, e a incerteza sobre o cumprimento da meta fiscal brasileira têm afastado os investidores estrangeiros. Além disso, a desaceleração da economia chinesa reduz a demanda por commodities, impactando as exportações brasileiras.
Comparação histórica
Em março de 2020, a retirada de estrangeiros havia sido de R$ 24 bilhões, no auge do pânico da pandemia. A saída atual, embora menor, é a maior desde então e reflete um momento de fragilidade do mercado financeiro brasileiro.
No acumulado do ano, o saldo de investimentos estrangeiros na B3 ainda é positivo em R$ 8 bilhões, mas o ritmo de entrada diminuiu significativamente após o primeiro trimestre.
Perspectivas
Para os próximos meses, o mercado monitora as decisões do Banco Central brasileiro sobre a taxa Selic, atualmente em 13,75% ao ano, e as sinalizações do governo sobre o ajuste fiscal. A expectativa é de que o fluxo de capital estrangeiro permaneça volátil até que haja maior clareza sobre o rumo da economia.



