O Ibovespa opera em alta nesta quinta-feira (22), tentando retomar o patamar dos 170 mil pontos após cinco pregões consecutivos de queda. O movimento ocorre em meio a um cenário externo misto, com o dólar subindo ante o real e os índices de Wall Street sem direção única.
Ibovespa busca recuperação
Por volta das 11h, o principal índice da Bolsa brasileira subia 0,6%, aos 169.800 pontos. O movimento é puxado por ações de peso como Vale e Petrobras, que avançam na esteira da alta do minério de ferro e do petróleo no exterior. Já os papéis de bancos, como Itaú e Bradesco, também contribuem para o ganho, com o setor financeiro reagindo às expectativas de juros mais altos por mais tempo.
Na véspera, o Ibovespa fechou em queda de 0,8%, acumulando perda de 2,5% nos últimos cinco dias. A sequência negativa foi influenciada por preocupações com a inflação global e a postura hawkish do Federal Reserve, que sinalizou que os juros americanos devem permanecer elevados por mais tempo.
Dólar sobe com cautela global
O dólar comercial opera em alta de 0,4%, cotado a R$ 5,12, refletindo a aversão ao risco nos mercados emergentes. A moeda americana ganha força diante da perspectiva de juros altos nos EUA, que torna o dólar mais atrativo para investidores globais. No cenário doméstico, a atenção se volta para a tramitação da reforma tributária no Congresso e para os dados de inflação do IPCA-15, que serão divulgados na próxima semana.
“O mercado está cauteloso, aguardando novos sinais sobre a política monetária americana e a situação fiscal brasileira”, afirma o economista-chefe de uma corretora, em nota. “Enquanto não houver clareza sobre esses temas, o dólar deve se manter pressionado.”
Nasdaq mira máximas históricas
Nos Estados Unidos, o Nasdaq Composite opera perto da estabilidade, próximo de suas máximas históricas, impulsionado por ações de tecnologia como Nvidia e Apple. O índice acumula alta de 12% no ano, sustentado pelo otimismo com inteligência artificial e resultados corporativos robustos. O S&P 500 sobe 0,1%, enquanto o Dow Jones cai 0,2%.
O mercado americano reage a dados econômicos mistos: os pedidos semanais de auxílio-desemprego ficaram abaixo do esperado, indicando mercado de trabalho aquecido, enquanto as vendas de imóveis usados caíram mais que o previsto.
Oportunidades na Bolsa após correção
Com a recente queda do Ibovespa, analistas apontam oportunidades de compra em ações de empresas sólidas. O Bradesco BBI, por exemplo, elevou a recomendação para ações brasileiras, citando um potencial de valorização de até 30% nos próximos 12 meses. “A Bolsa brasileira está descontada em relação aos pares emergentes e oferece boas oportunidades para investidores de longo prazo”, diz relatório do banco.
Entre as ações recomendadas estão Vale, Petrobras e bancos como Itaú e Bradesco. Além disso, papéis de empresas ligadas ao consumo interno, como Lojas Renner e Magazine Luiza, também são citadas como boas opções para quem busca exposição ao mercado doméstico.
Renda fixa atrativa
No mercado de renda fixa, os títulos públicos continuam oferecendo taxas elevadas. O Tesouro IPCA+ com vencimento em 2029 renovou a máxima histórica, com taxa acima de 8% ao ano, enquanto os prefixados de longo prazo se aproximam de 15% ao ano. Isso torna a renda fixa brasileira uma das mais atrativas do mundo, especialmente para investidores estrangeiros.
“Com o aperto monetário global, a renda fixa brasileira se destaca pelo alto retorno real”, diz um gestor de fundos. “Mas é preciso cautela com o risco fiscal.”
Perspectivas para o curto prazo
Para os próximos dias, o mercado deve acompanhar de perto os dados de inflação nos EUA e no Brasil, além das declarações de autoridades do Fed e do Banco Central brasileiro. Qualquer sinal de que os juros podem cair mais rapidamente pode impulsionar a Bolsa e derrubar o dólar. Por outro lado, notícias negativas sobre o cenário fiscal podem pressionar ainda mais os ativos brasileiros.
“O Ibovespa tem potencial para voltar aos 175 mil pontos no curto prazo, mas depende de um cenário externo mais favorável”, conclui o analista de uma corretora.



