Ibovespa reduz alta após Fed manter juros; projeções indicam aumento em 2026
Ibovespa reduz alta após Fed manter juros e prever alta

O Ibovespa reduziu a alta nesta quarta-feira, após o Federal Reserve manter a taxa básica de juros dos Estados Unidos na faixa de 3,50% a 3,75%, enquanto as projeções das autoridades do banco central norte-americano apontaram um aumento ainda em 2026.

Às 15h28 (horário de Brasília), o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, subia 0,18%, a 169.992 pontos. Pouco antes do anúncio da decisão, bem como da divulgação das previsões, o Ibovespa subia cerca de 1%.

Decisão do Fed e projeções

O Federal Reserve manteve sua taxa básica de juros estável nesta quarta-feira, e os formuladores de política monetária esperam um aumento na taxa ainda este ano, em meio a preocupações crescentes com a inflação, que permanece acima da meta de 2% do banco central dos Estados Unidos.

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Novas projeções trimestrais mostraram que nove autoridades do Fed agora preveem uma alta de juros até o fim de 2026, e o comunicado de política monetária atualizado removeu a linguagem que vinha sendo usada para sinalizar a probabilidade de novas reduções de taxas em 2026.

“O principal destaque ficou por conta das projeções econômicas divulgadas pelos integrantes do FOMC (Federal Open Market Committee), que surpreenderam os agentes financeiros e contribuíram para o fortalecimento global do dólar. Neste momento, o dólar opera ao redor de R$ 5,08 frente ao real, enquanto o índice DXY, que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de divisas, volta a superar os 100 pontos”, aponta Leonel Oliveira Matos, analista de Inteligência de Mercados da Stonex.

Reações do mercado

Para Camilo Cavalcanti, Gestor de Portfolio da Oby Capital, o comunicado, primeiro sob a direção de Kevin Warsh, foi bastante alterado em relação ao comunicado anterior, destacando-se principalmente a remoção de menções a novos ajustes no nível de juros. “Já o gráfico de pontos com expectativas dos diretores do FED mostrou que metade deles espera ao menos uma alta de juros até o fim de 2026, enquanto a outra metade espera essencialmente a manutenção das taxas no patamar atual. Para 2027 também parece haver uma expectativa relevante de alta de juros em relação ao patamar atual. Em resumo, o Comitê de fato demonstrou sua perspectiva de que a inflação se manterá em nível acima do desejado por mais tempo, demandando uma política monetária mais restritiva”, avalia o especialista.

De fato, o comunicado, em um sinal inicial da influência do novo chair do Fed, Kevin Warsh, removeu completamente qualquer orientação sobre movimentos futuros dos juros. O novo formato simplesmente informou a decisão sobre a taxa e reafirmou a intenção do banco central de manter “reservas abundantes no sistema bancário”. O documento mais curto, um retorno a um formato semelhante ao usado pelo ex-chair do Fed Alan Greenspan, foi aprovado por votação unânime de 12 a 0.

A declaração do Fed mostrou outros sinais da influência inicial de Warsh, que assumiu o cargo após ter sido nomeado no início deste ano pelo presidente Donald Trump, com a expectativa de que entregasse os cortes de juros exigidos pelo republicano.

A descrição da economia abordou temas enfatizados por Warsh, mencionando que “o crescimento da produtividade e o investimento de capital estão fortes”. Embora reconhecesse que a inflação estava “elevada em relação à meta de 2% do Comitê”, isso foi atribuído em parte a “choques de oferta que impulsionaram aumentos de preços em certos setores, incluindo energia”.

As novas projeções mostram a inflação desacelerando acentuadamente no próximo ano. “O Comitê entregará estabilidade de preços”, disse o documento.

Perspectivas para o Brasil

No geral, ressalta Vinicius Flores, analista de investimentos e sócio da Stratton Capital, o texto foi mais hawkish (duro, indicando alta de juros) do que pra dovish (brando, indicando menor preocupação com a inflação). “Existe a possibilidade realmente de aumento na taxa básica de juros aí nas próximas reuniões uma vez que o comunicado deixou claro na últimas linhas que vai entregar estabilidade nos preços”, aponta o especialista.

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No Brasil, as atenções se voltam ao Copom depois do fechamento do mercado, com o mercado projetando um corte de 0,25 ponto percentual da Selic, para 14,25%, embora uma pausa não esteja descartada diante da piora do cenário externo, da alta do petróleo e da deterioração das expectativas de inflação. O tom do comunicado será decisivo para calibrar as apostas dos próximos passos.