A Bolsa brasileira encerrou a sessão desta sexta-feira com leve recuo, influenciada principalmente pela desvalorização das ações da Petrobras (PETR3;PETR4), mas conseguiu registrar a primeira alta semanal desde abril. O índice Ibovespa caiu 0,21%, fechando a 171.132,66 pontos, após oscilar entre 169.992,77 e 172.544,54. O volume financeiro somou R$ 23,78 bilhões.
Na semana, o Ibovespa subiu 1,25%, pondo fim a uma sequência de oito perdas semanais consecutivas, a maior da série histórica, segundo dados da LSEG. O mercado acompanhou o noticiário geopolítico e a estreia da SpaceX na Nasdaq, além dos dados de inflação no Brasil.
Geopolítica e petróleo pressionam
No cenário externo, um memorando proposto para encerrar o conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã gerou controvérsias. O presidente americano, Donald Trump, criticou os termos divulgados por fontes ocidentais, paquistanesas e iranianas, afirmando que as informações vazadas não correspondem ao que foi acordado por escrito. Segundo fontes da Reuters, o acordo prevê que os EUA liberem bilhões de dólares em ativos iranianos congelados e suspendam sanções ao petróleo iraniano, enquanto o Irã suspenderia o bloqueio ao Estreito de Ormuz. O texto ainda não é definitivo, e questões como o fim das hostilidades no Líbano seguem pendentes.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou que negociações nucleares com os EUA só ocorrerão em fase posterior e que um acordo provisório precisa ser implementado primeiro. Trump havia dito na véspera que cancelou novos ataques ao Irã devido ao acordo, alimentando expectativas de paz.
Com isso, o barril de petróleo Brent fechou em queda de 3,37%, a US$ 87,33. A possibilidade de avanço nas negociações pressionou o mercado de petróleo, impactando as ações da Petrobras. PETR4 recuou 1,39% e PETR3 caiu 1,3%. Outras petrolíferas também fecharam no vermelho: PRIO3 (-1,14%), BRAV3 (-0,14%) e RECV3 (-1,62%).
Inflação no Brasil preocupa
O IBGE divulgou que o IPCA subiu 0,58% em maio, ante 0,67% em abril, ligeiramente acima da expectativa de 0,53%. Em 12 meses, a inflação acelerou para 4,72%, superando o teto da meta de 4,5% pela primeira vez desde outubro de 2025. A meta contínua é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual.
Para o economista Leonardo Costa, do ASA, o cenário inflacionário preocupa o Banco Central, que deve encerrar o ciclo de corte de juros na próxima reunião, influenciado também pelo cenário externo e expectativas de inflação em alta.
Destaques do pregão
- VALE ON (VALE3) subiu 0,47%, apesar da queda dos futuros do minério de ferro na China (-0,33%).
- ITAÚ UNIBANCO PN (ITUB4) avançou 0,25%, enquanto o setor bancário perdeu fôlego. O Nubank (NU) subiu 0,83% nos EUA, após um erro operacional que enviou mensagens falsas sobre liquidação extrajudicial.
- BRASKEM PNA (BRKM5) caiu 6,67%, corrigindo após quatro altas seguidas.
- COPASA ON (CSMG3) recuou 1,88%, após a oferta de ações da privatização ser precificada a R$ 49,03, abaixo do fechamento anterior de R$ 58,50.
- ENGIE BRASIL ON (EGIE3) valorizou-se 1,94%, com a aprovação de oferta para incorporar participação na usina de Jirau.
- EMBRAER ON (EMBR3) subiu 2,32%, com notícias de venda de aeronaves C-390 para a Grécia e planos da Eve para certificação de eVTOL em 2028.
Em Nova York, o S&P 500 subiu 0,5%, com destaque para a SpaceX, que estreou na Nasdaq com alta de 19%, atingindo valor de mercado superior a US$ 2 trilhões. O BDR da SpaceX na B3 fechou em alta de 18,15%, a R$ 54,74.



