As principais bolsas europeias encerraram o pregão desta quinta-feira (23) em queda, refletindo o peso das tensões geopolíticas no Oriente Médio e a decisão do Banco Central Europeu (BCE) de manter as taxas de juros inalteradas. O índice pan-europeu Stoxx 600 recuou 1,2%, enquanto o FTSE 100, de Londres, caiu 0,9%, o DAX, de Frankfurt, perdeu 1,1%, e o CAC 40, de Paris, registrou baixa de 1,3%.
Tensões no Oriente Médio pesam sobre o mercado
Os investidores monitoram de perto o agravamento do conflito entre Israel e o Hamas, com temores de uma escalada regional que envolva o Irã. Segundo analistas do banco UBS, o risco de interrupção no fornecimento de petróleo elevou a aversão ao risco. O preço do barril de Brent subiu 2,3%, para US$ 84,50, ampliando as perdas nas ações de setores sensíveis, como aviação e turismo.
O índice de volatilidade VIX, conhecido como 'índice do medo', subiu para 18 pontos, o maior nível em três semanas. "O mercado está precificando um prêmio de risco maior devido à incerteza geopolítica", afirmou John Smith, estrategista-chefe do Barclays.
BCE mantém juros e sinaliza cautela
O BCE decidiu manter a taxa de juros de referência em 4,25%, em linha com as expectativas. A presidente do BCE, Christine Lagarde, destacou que a inflação ainda está acima da meta de 2% e que novas altas de juros não estão descartadas. "A inflação deve permanecer elevada por mais tempo do que o previsto", disse Lagarde em entrevista coletiva.
A decisão pesou sobre as ações do setor imobiliário, que caíram 2,5% em média, e dos bancos, que recuaram 1,8%. O rendimento do título alemão de 10 anos subiu para 2,65%, refletindo a perspectiva de juros altos por mais tempo.
Impacto nos setores e perspectivas
O setor de energia foi o único a registrar ganhos, com alta de 1,2%, impulsionado pela valorização do petróleo. Já as ações de tecnologia caíram 1,9%, acompanhando o movimento negativo de Wall Street. O índice Dow Jones recuava 0,8% no horário europeu.
Para os analistas do Goldman Sachs, o cenário de curto prazo é de cautela. "As tensões no Oriente Médio e a postura hawkish do BCE devem manter a volatilidade elevada nas próximas semanas", afirmou Maria Silva, economista-chefe para Europa do banco. Ela projeta que o Stoxx 600 pode testar o suporte de 450 pontos caso o conflito se intensifique.



