A Raízen (RAIZ4) registrou prejuízo líquido de R$ 7,3 bilhões no quarto trimestre da safra 2025/26, ante resultado negativo de R$ 2,5 bilhões no mesmo período da safra anterior. A avaliação do JPMorgan aponta que a companhia apresentou um trimestre de resultados mistos. Apesar da receita líquida ter recuado 11,1% na comparação anual, para R$ 51,3 bilhões, o Ebitda ajustado avançou 46%, para R$ 2,9 bilhões, impulsionado principalmente pelo forte desempenho da divisão de distribuição de combustíveis no Brasil.
JPMorgan destaca Ebitda positivo, mas alerta para despesas financeiras
O banco ressalta que o prejuízo foi pressionado pelo aumento das despesas financeiras, por provisões contábeis sem efeito caixa relacionadas à perda de valor de ativos (impairment) e por despesas com reestruturação. O principal destaque positivo do trimestre foi a operação brasileira de distribuição de combustíveis. Os volumes comercializados cresceram 8,2% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto o Ebitda ajustado da divisão avançou 60,4%, para R$ 1,7 bilhão. A margem também apresentou forte expansão, alcançando R$ 246 por metro cúbico, alta de 48,2% na comparação anual.
Geração de caixa negativa e alavancagem elevada
Ainda assim, o JPMorgan chama atenção para a pressão sobre a geração de caixa. O fluxo de caixa livre foi negativo em R$ 7,6 bilhões no ano, refletindo principalmente necessidades de capital de giro e um ambiente de crédito mais restritivo. Com isso, a alavancagem encerrou o trimestre em 5,2 vezes a relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado dos últimos 12 meses, ante 3,2 vezes um ano antes.
Bradesco BBI projeta queima de caixa contínua em 2027
Os analistas do Bradesco BBI, Vicente Falanga e Gustavo Sadka, também veem o resultado com cautela. Mesmo com as melhorias na distribuição de combustível, eles destacam que o elevado consumo de caixa da Raízen em 2026 ressalta a gravidade de seus desafios financeiros. Para 2027, a dupla projeta uma queima de caixa contínua de R$ 5 a 6 bilhões, apesar dos ganhos na distribuição de combustível e dos esforços para reduzir o consumo de despesas de capital e de giro. “Essa trajetória sugere que a alavancagem se aproximará de 6 vezes, com as reservas de caixa caindo de R$ 13,6 bilhões para R$ 7 a 8 bilhões — provavelmente menores no primeiro semestre, à medida que as pressões sobre o capital de giro se intensificam sazonalmente”, escreveram os analistas. Por fim, o BBI ressalta que essa dinâmica destaca a importância dos processos de recuperação extrajudicial e das alienações estratégicas da Raízen, incluindo a venda planejada das operações na Argentina.



