As empresas brasileiras distribuíram cerca de US$ 6,3 bilhões em dividendos no primeiro trimestre de 2026, montante que representa quase 60% de tudo o que foi pago na América Latina no período, de acordo com a primeira edição do Global Dividend and Buyback Index, da gestora Janus Henderson, divulgada nesta terça-feira (21). O Brasil aparece como o maior pagador da região, à frente de mercados como México e Chile. O crescimento subjacente dos dividendos brasileiros ficou em 9,6% na comparação com o mesmo período de 2025, superando a média global apurada pelo índice.
Primeira edição do índice global de dividendos e recompras
O índice é a primeira edição de um levantamento que amplia a pesquisa de dividendos da Janus Henderson para incluir também as recompras de ações, com o objetivo de retratar de forma mais completa o retorno de capital aos acionistas. Nos cálculos, a gestora diferencia o crescimento nominal, que considera a variação do valor total pago em dólares na comparação anual, do crescimento subjacente, que ajusta esse resultado por dividendos especiais, efeitos cambiais e de calendário.
No total, as companhias latino-americanas distribuíram cerca de US$ 10,5 bilhões no trimestre, alta de 15% em bases subjacentes ante o primeiro trimestre do ano passado. As recompras de ações, por outro lado, foram mais modestas na região, somando US$ 1,1 bilhão, um volume considerado baixo diante do tamanho dos mercados latino-americanos.
Destaques setoriais e regionais
Entre os maiores pagadores brasileiros está a Vale (VALE3), que elevou o dividendo por ação de BRL 2,66 no primeiro trimestre de 2025 para BRL 3,58 no mesmo período de 2026. O setor de mineração também sustentou parte relevante da distribuição em outros países da região. No México, as companhias pagaram US$ 1,4 bilhão, com destaque para o Grupo México, que registrou crescimento subjacente de 36,4%. No Chile, os dividendos somaram cerca de US$ 2 bilhões no trimestre.
O desempenho da mineração na América Latina acompanha um movimento global. No índice como um todo, o setor de materiais básicos apresentou o maior crescimento de dividendos entre todas as indústrias, com alta de 47,1% na comparação anual. O avanço foi impulsionado pela demanda elevada por minerais críticos como cobre e lítio, insumos importantes para data centers, semicondutores e a infraestrutura de inteligência artificial, segundo a gestora.
Panorama global: dividendos e recompras
No mundo, os dividendos alcançaram US$ 424,5 bilhões no primeiro trimestre, avanço de 10,1% em relação a igual período de 2025. As recompras de ações somaram US$ 425,7 bilhões, ligeiramente acima dos dividendos, mas com queda de 3,1% no comparativo anual, o que sugere que as empresas estão mais seletivas na forma de remunerar acionistas.
O setor financeiro foi o maior contribuinte para os dividendos globais, com US$ 90,8 bilhões, além de liderar as recompras, com US$ 110,7 bilhões. A Janus Henderson projeta crescimento de 8,3% nos dividendos globais em 2026, ante 6,8% em 2025, enquanto as recompras devem cair 1,1% no ano.
Perspectivas e análise da gestora
Para Jane Shoemake, gestora de portfólio da equipe de Global Equity Income da Janus Henderson, a resiliência dos lucros corporativos tem sido a principal surpresa em meio a um cenário macroeconômico incerto. Segundo ela, esses lucros quase sempre resultam em dividendos mais altos, movimento que agora se observa em diferentes setores e regiões. A gestora avalia ainda que dividendos e recompras devem ser tratados de forma distinta. Para ela, os dividendos costumam refletir decisões de longo prazo dos conselhos, baseadas em sustentabilidade, enquanto as recompras são mais discricionárias e cíclicas. Nesse sentido, os dividendos seguem como o sinal mais forte de confiança, e as recompras funcionam como um amortecedor mais flexível diante de eventuais deteriorações no cenário.



