Bancos tentam barrar plano de recuperação da Ambipar nos EUA
Bancos tentam barrar plano de recuperação da Ambipar nos EUA

Bancos tentam barrar plano de recuperação da Ambipar nos EUA

Um grupo de instituições financeiras está buscando ingressar no processo de recuperação judicial da Ambipar que tramita na Justiça dos Estados Unidos. O objetivo, de acordo com fontes, é bloquear o plano de reestruturação apresentado pela empresa, que foi elaborado em conjunto com os detentores de títulos de dívida emitidos no exterior (bondholders). O plano prevê a entrega de subsidiárias americanas do grupo, incluindo a Ambipar Response. Os bondholders detêm mais de 50% da dívida e formam a maioria necessária para aprovação na assembleia de credores, que deve ser agendada em aproximadamente um mês.

Uma audiência marcada para 22 de junho, em Houston, no Texas, discutirá o pedido dos credores financeiros para ingressar no Chapter 11, processo similar à recuperação judicial brasileira. A apuração da coluna revelou que a ação envolve os bancos Bradesco, Sumitomo e Banco do Brasil. A Caixa Econômica Federal também fez o mesmo pedido, mas na condição de detentora de títulos de dívida (debêntures) do grupo. A Caixa foi uma das principais compradoras de duas emissões de debêntures realizadas pelo grupo Ambipar em 2022 e 2024, que totalizam R$ 1,75 bilhão, de um montante global de R$ 3 bilhões.

Segundo uma fonte próxima à Ambipar, o acordo para um plano de reestruturação financeira está praticamente finalizado e deve ser assinado na segunda-feira, dia 15, pelos bondholders. Conforme antecipado pela coluna, a empresa de gestão ambiental tem priorizado os credores externos, uma vez que eles detêm a maior parte da dívida.

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Instituições financeiras exigem devolução de prazo

Na ação apresentada à Corte dos EUA, os bancos solicitam o ingresso no Chapter 11 mesmo após o término do prazo limite de 18 de fevereiro, alegando que a Ambipar não os notificou sobre o processo nos EUA nem sobre o prazo para ingresso. Segundo os bancos, isso é uma exigência prevista na legislação americana. Os credores financeiros buscam garantir o direito de votar no plano de recuperação da devedora nos EUA e participar das distribuições de seus ativos. Eles argumentam que, devido à consolidação substancial — que agrupa as dívidas de todas as empresas do grupo no processo de recuperação judicial no Brasil —, eles também têm direito aos créditos sujeitos ao Chapter 11 nos EUA.

A estratégia da Ambipar de priorizar os credores externos acaba isolando os outros credores, que agora estão reagindo. Os bancos têm mantido uma postura bastante beligerante contra a empresa, questionando em várias instâncias na Justiça brasileira a conduta da companhia que levou ao pedido de recuperação judicial.

Dívida total é de R$ 10,5 bilhões

A Ambipar entrou em recuperação judicial em outubro do ano passado, com um passivo de R$ 10,5 bilhões. Os detentores de títulos emitidos no exterior detêm a maior parte dos créditos, cerca de R$ 5,4 bilhões. Os investidores de debêntures possuem R$ 3 bilhões e um grupo de bancos, R$ 2 bilhões. O BTG Pactual já teria comprado R$ 800 milhões em bonds (títulos de dívida externa) e no mercado de dívida local, conforme afirmaram as fontes.

Procurados, o Bradesco e o Banco do Brasil optaram por não responder. O Sumitomo não respondeu até a publicação desta nota. A Ambipar não quis comentar.

Esta notícia foi publicada na Broadcast+ no dia 11/06/2026, às 16:21. A Broadcast+ é uma plataforma líder no mercado financeiro com notícias e cotações em tempo real, além de análises e outras funcionalidades para auxiliar na tomada de decisão.

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