Bancos tradicionais e grandes empresas de tecnologia, as chamadas big techs, estão cada vez mais disputando o mesmo espaço no mercado financeiro, mas, segundo especialistas, ambas surfam a mesma onda de inovação. A convergência entre os setores tem gerado parcerias e competição, transformando a forma como os consumidores lidam com dinheiro e serviços financeiros.
Convergência de interesses
De um lado, os bancos buscam se modernizar e oferecer experiências digitais mais ágeis e personalizadas. Do outro, as big techs, como Google, Apple e Amazon, expandem seus serviços financeiros, aproveitando sua base de usuários e capacidade de inovação. De acordo com a consultoria Accenture, o investimento global em tecnologia financeira (fintech) deve ultrapassar US$ 300 bilhões em 2026, um crescimento de 25% em relação ao ano anterior.
“A linha que separa bancos e big techs está cada vez mais tênue. Ambos percebem que a chave para o sucesso é a confiança do consumidor e a capacidade de oferecer soluções integradas”, afirma Carlos Alberto, analista do setor financeiro. As parcerias, como a do Banco do Brasil com o Google Pay, são exemplos dessa tendência.
Impacto no consumidor
Para o consumidor, a competição tem gerado benefícios, como redução de tarifas, mais opções de crédito e serviços mais rápidos. No Brasil, o número de contas digitais cresceu 40% em 2025, segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban). No entanto, especialistas alertam para riscos de concentração de dados e dependência de grandes plataformas.
“A regulação precisa acompanhar essa evolução para garantir a estabilidade do sistema financeiro e a proteção dos dados dos usuários”, destaca Maria Silva, professora de direito digital. O Banco Central do Brasil já estuda novas regras para big techs que atuam no setor financeiro.
Onda de inovação
A expressão “surfar a mesma onda” reflete a ideia de que, apesar das diferenças, bancos e big techs compartilham desafios e oportunidades. A inteligência artificial, o open banking e as criptomoedas são algumas das áreas que impulsionam essa transformação. Segundo o relatório da McKinsey, 70% dos bancos brasileiros já utilizam IA em pelo menos um processo.
O futuro, segundo os analistas, será de colaboração e concorrência simultâneas, com o consumidor no centro das decisões. As empresas que melhor se adaptarem a essa nova realidade tendem a liderar o mercado nos próximos anos.



