O setor de madeira processada do Brasil encerrou a audiência pública realizada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) com otimismo. A reunião, que discutiu possíveis novas tarifas sobre importações de madeira, foi considerada positiva pelos representantes brasileiros, que destacaram a solidez dos argumentos técnicos apresentados.
Defesa técnica forte e possibilidade de isenção
Paulo Pupo, presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci), afirmou que a defesa técnica foi robusta. Segundo ele, se o USTR adotar critérios técnicos e objetivos, os produtos brasileiros podem ser isentos das tarifas. “Mostramos que a madeira brasileira é complementar à demanda dos EUA, e não concorrente direta da produção local”, explicou Pupo.
Os Estados Unidos são o principal destino das exportações brasileiras de madeira processada, respondendo por 50% do total. Pupo alertou que tarifas adicionais inviabilizariam a presença do Brasil no mercado americano, gerando impactos severos para o setor. “Seria muito difícil substituir os fornecedores brasileiros, pois há uma integração logística e de qualidade consolidada”, completou.
Impactos econômicos e desafios
O setor de madeira processada brasileiro emprega milhares de trabalhadores e movimenta bilhões de reais por ano. A possível imposição de tarifas adicionais poderia reduzir drasticamente as exportações, afetando desde pequenas serrarias até grandes indústrias de móveis, como a Temasa, de Santa Catarina, que exporta 45% de sua produção para os EUA.
Pupo ressaltou que a indústria brasileira investiu em certificação e sustentabilidade, atendendo aos mais altos padrões internacionais. “Nossa madeira é legal, rastreável e de baixo impacto ambiental. Isso deveria ser levado em conta nas negociações”, disse.
Próximos passos
A audiência do USTR faz parte de um processo de revisão das tarifas sobre madeira serrada e painéis. O governo brasileiro, por meio do Ministério das Relações Exteriores, também apresentou contribuições técnicas. A decisão final do USTR é aguardada para as próximas semanas, e o setor acompanha com expectativa.
Para Pupo, o otimismo é cauteloso. “Saímos confiantes, mas sabemos que há interesses políticos em jogo. O que podemos fazer é oferecer dados claros e mostrar que a parceria comercial beneficia ambos os países”, concluiu.



